Na abertura do carnaval de 2024, 9 de fevereiro, o grupo Baile do Mestre Cupijó lançou o primeiro álbum de estúdio com a obra do artista de Cametá, no interior do estado. Já falecido (em 2012), Cupijó é um dos músicos mais importantes do Brasil, em particular pela sua mistura sonora das músicas europeia, negra e indígena.

O disco traz 15 faixas, com a banda formada por 11 instrumentistas e participações especiais de Dona Onete, Felipe Cordeiro e DJ Waldo Squash. O projeto tem direção musical de JP Cavalcante, também autor dos arranjos com o saxofonista Daniel Serrão, que assina a produção musical.

Banda Baile do Mestre Cupijó, em tributo ao músico paraense

A banda é formada por Marcos Sarrazin (sax tenor), Felipe Ricardo (sax alto), Handel Alcântara (trompete), Lulu Bone (trombone), JP Cavalcante (voz e maracas), Kleyton Silva (voz), Danilo Rosa (guitarra), Renata Beckman (banjo), Luan Lacerda (baixo) Rafael Barros (percussão: trio de congas / curimbó / surdo) e Adriano Souza (bateria).

“Cupijó reinventou o Siriá, ritmo que antes somente era escutado nos finais de festejos de grupos de Samba de Cacete, como ele viveu na região do Baixo Tocantins, extraiu isso da melhor forma, e traduziu para uma banda o que hoje conhecemos como Siriá”, explicou JP Cavalcante ao jornal O Liberal.

Segundo ele, Cupijó fez o mesmo com ritmos de banguê, e com a influência trazidas pelas rádios daquela época, os ritmos latinos como merengues, cúmbias e, especialmente o mambo. Uma de suas músicas mais conhecidas é o “Mambo do martelo”, que ganhou versões de diversos artistas e grupos.

Mestre Cupijó cresceu em meio à música, ouvindo e depois participando da banda Euterpe Cametaense, na cidade de Cametá. da qual seu pai Vicente Castro, o Mestre Sicudera, era o diretor (veja abaixo a orquestra animando festejos de rua).

Antes dirigida por seu avô, a Euterpe Cametaense foi fundada em 1874, tornando-se a banda municipal mais antiga do Pará e, possivelmente, do Brasil. A banda Euterpe Cametaense foi a única a se apresentar nas festividades que sinalizaram o fim da escravidão no Pará em 1888.

Banda Euterpe Cametaense ao vivo em festa de rua em Cametá

“Dentre muitas músicas, escolhemos ser pontuais com os clássicos dele, e decidimos manter quase tudo que o mestre fazia, principalmente nas linhas melódicas dos metais, que ao nosso ver, são a beleza da genialidade do Mestre Cupijó como compositor e grande orquestrador”.

O grupo manteve “aspectos da musicalidade do Mestre Cupijó, que lhe garantiam o grande diferencial”, de acordo com JP. Na última faixa, no entanto, “Morena do Rio Mutuacá”, DJ Waldo Squash e Felipe Cordeiro” introduzem o som das aparelhagens no caldeirão. 

Após sua morte, a cineasta e sobrinha de Cupijó, Jorane Castro, produziu o documentário biográfico com apoio da Petrobras, “Siriá por Mestre Cupijó, contando a história e a obra do mestre (veja abaixo o lançamento, em Belém).

A obra do Mestre Cupijó conta com seis LPs ociais lançados entre os anos 70 e 80, uma coletânea lançada pela série internacional Analog África (mais um CD equivalente), outro CD independente e, ainda uma boxset com os seis álbuns e um extra.

Veja a discografia completa:

1 – Mestre Cupijó e seu ritmo (Escorpião/Rozenblit, LP, s/d)
2 – Mestre Cupijó e seu ritmo – Vol 2 (Escorpião/Rozenblit, LP, sd)
3 – Siriá, Sirá, Siriá (Continental, LP, 1975)
4 – Siriá (Continental, LP, 1976)
5 – Banguê da namoradeira (Musicolor, LP, 1978)
6 – Menina chorona (Chantecler, LP, 1982)
7 – Mestre Cupijó e Seu Ritmo (Analog Africa, LP, 2014)
8 – Mestre Cupijó e Seu Ritmo (Analog Africa, CD, 2014)
9 – O melhor de Mestre Cupijó (Cultura Laser, CD, s/d)
10 – No ritmo do Siriá! (box com 7 CDs, Independente, s/d)

Show de lançamento de documentário sobre Mestre Cupijó

Foto: Divulgação.

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