Nos anos 1970, o Caribe não apenas produziu sons dançantes e vibrantes. A região consolidou-se como um dos centros mais criativos da música mundial. Em boa parte devido à revolução sonora do cadence, ou cadence-lypso.

Originado nas ilhas/países do Caribe, o estilo combina ritmos tradicionais do calypso, do kompa haitiano, do funk, do soul e das cadências crioulas, construindo uma música festiva, dançante e profundamente marcada pela vida cotidiana das ilhas.

O cadence destacava-se pela combinação de ritmos africanos e caribenhos com estruturas harmônicas contemporâneas. A presença de linhas de baixo pulsantes, guitarras elétricas marcantes, metais vibrantes e vocais que transitavam entre inglês e crioulos reforçava seu caráter sincrético.

A gravadora Disque Debs no comando da revolução sonora

A gravadora Disque Debs foi fundada em 1959 por Henri Debs em Pointe-à-Pitre, em Guadelupe, e tornou-se uma das mais importantes casas de música do Caribe Francês.

No comando da gravadora, Debs lançou centenas de discos, promovendo artistas da região e ajudando a profissionalizar a gravação da música local em Guadelupe e Martinica.

O selo gravou e distribuiu grupos que se tornaram ícones do cadence, como Les Vikings, Super Combo, Typical Combo e muitos outros, cuja música ajudou a definir esse som característico das Antilhas Francesas.

O novo gênero ajudou a projetar a música caribenha no cenário global e a consolidar o Caribe como um polo criativo cujas influências reverberaram em outras regiões do mundo, da Europa até o Norte do Brasil.

  • Em 2023, em sua sexta edição do Festical Lambateria, no Complexo Mormaço/Maloca das Amazonas, realizou o show histórico da banda de Guadalupe, Les Aiglons, que eternizaram o sucesso ‘Cuisse La’, conhecido no Brasil como ‘Wipitipiti’. Foi a primeira vez que essa banda com mais de 50 anos de existência, que influenciou demais a música paraense, se apresentou na Amazônica.

Antes do cadence, em pouco mais de meio século, o “Grande Caribe” foi responsável pelo surgimento e difusão de uma impressionante variedade de gêneros, como son, bolero, mambo, rumba, merengue, calypso, salsa, compas, reggae, zouk e, claro, o cadence (também chamado cadence-lypso).

Esse fenômeno não ocorreu isoladamente, foi fruto de intensas trocas culturais entre Cuba, Haiti, Trinidad e Tobago, República Dominicana, Guadalupe e Jamaica, que influenciaram mercados e culturas musicais muito além do Caribe.

Ao revisitar o cadence hoje, percebe-se que ele foi, e continua a ser, um elo entre tradições ancestrais e experimentações modernas — um ritmo que, nas pistas e nas rádios, traduz o pulsar coletivo de uma região capaz de reinventar a música em escala global.

O som do Caribe chega ao Norte do Brasil, nos anos 70

A série de 11 LPs,lançados pela gravadora Gravasom, ao longo da década de 80, trazia um ótimo panorama da música produzida no Caribe, especialmente nas ilhas de Martinica, Dominique e Guadalupe, o principal polo da produção musical à época.

A coleção de albuns foi uma espécie de estratégia editorial da Gravasom, junto com a série Guitarradas, para integrar e difundir os gêneros caribenhos na região, como cadence-lypso, soca e o zouk das Antilhas.

Com isso, além de hits “vertidos” para a região, como “Quero você”, a série teve uma grande importância na formatação da sonoridade musical paraense e do Norte, incluindo a lambada, recohecida pela mídia especializada, artistas e ouvintes.

Foto: Senhor F Social Club (LPs do acervo).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Trending