Na noite de hoje (domingo, 8/02/2026), o intervalo do Super Bowl deixa de ser apenas o altar máximo do entretenimento corporativo para se tornar o teste de fogo de um fenômeno que vem reconfigurando a música mundial.
Quando Bad Bunny subir ao palco mais vigiado do planeta, não veremos apenas um popstar latino tentando agradar a audiência média norte-americana. Veremos a prova definitiva da tese do novo regional global.
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Vivemos a contradição do streaming, com inédita oferta infinita, atenção mínima e um “faroeste de algoritmos”. Nesse cenário, uma geração de artistas, de João Gomes no Brasil a Milo J na Argentina, descobriu que a única forma de sobreviver ao ruído não é se dissolver no pop genérico, mas redescobrir suas próprias raízes.
- Bad Bunny deve se apresentar a partir das 22h, no horário de Brasília. Haverá transmissão nos seguintes canais: Sportv, Getv, ESPN, Disney+ e NFL Game Pass (DAZN).
O traço comum entre todos esses artistas é o mesmo. Em um mundo saturado pela estética globalizada do streaming, eles buscaram singularidade no território, na ancestralidade, nas raízes culturais de seus países (Senhor F Social Club).
Bad Bunny é o avatar mais expressivo dessa “reprogramação do passado pelo presente”. Ele não precisou cantar em inglês ou suavizar seu “perreo” para chegar ao topo; ele globalizou Porto Rico transformando sua identidade periférica em diferencial competitivo.
Trincheira política
A apresentação de hoje, no entanto, carrega uma voltagem que ultrapassa a estética. O contexto político é inflamável. Bad Bunny chega ao Super Bowl poucos dias após usar o Grammy para criticar frontalmente o ICE (Imigração e Alfândega dos EUA), um gesto que provocou a ira imediata de Donald Trump e da ala conservadora, que já pediu boicote ao evento.
Há uma linha direta entre a postura de Bad Bunny e a de artistas como o norte-americano Jesse Welles, que retomou o folk de protesto para denunciar os novos ditadores imperiais. O que está em jogo nesta noite é a capacidade da música de funcionar como uma arma de afirmação cultural em território hostil.
Folclore e futuro
O que veremos daqui a pouco será um embate entre a homogeneização esperada pelo mercado e a singularidade exigida pelo tempo presente. Se a tese se confirmar, Bad Bunny usará os ritmos, expressões e a gestualidade do folclore porto-riquenho como “plugins emocionais” que a tecnologia não consegue fabricar.
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A juventude reconectou o folclore ao futuro. Hoje à noite, saberemos se essa nova linguagem é capaz de segurar a atenção planetária e, ao mesmo tempo, mandar o recado político que o momento exige. O velho se torna futurista; o local vira global. E o Super Bowl, por alguns minutos, falará espanhol com sotaque de rua.
Foto: Divulgação.





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