O disco Induku Zethu marca o período que antecede a projeção global do grupo sul-africano Ladysmith Black Mambazo, que ocorreria com a participação no álbum Graceland, de Paul Simon. Formado em 1964 por Joseph Shabalala na cidade de Ladysmith, o conjunto construiu sua identidade musical a partir do isicathamiya, um estilo vocal zulu forjado nas comunidades de trabalhadores negros das minas da África do Sul.
A origem do estilo tem contornos sociais claro; longe das famílias e sob condições severas, os mineiros cantavam para se entreter, desenvolvendo passos coreografados “na ponta dos pés” para não alertar os guardas dos alojamentos. Na virada para a década de 1980, eles já lideravam as vendas no mercado interno sul-africano e dominavam os festivais locais.
No disco, o trabalho é calcado estritamente nas vozes, alternando uníssonos de tenores, barítonos e baixos com texturas polifônicas. Faixas como “Mangosuthu”, “Vukani” e “Ingwe Idla Ngamabala” demonstram a dinâmica rigorosamente ensaiada entre o vocalista principal e a resposta do coro, priorizando o silêncio e as pausas como elementos expressivos.
O título, traduzido como “Nossos bastões de luta”, e a arte da capa, que traz Shabalala empunhando uma lança, funcionam como afirmação da identidade zulu. Sem recorrer a panfletarismos, as letras documentam o cotidiano, os valores comunitários e as relações humanas de uma população sob regime de segregação do apartheid vigente na época.
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A descoberta por Paul Simon mudaria o status do grupo logo em seguida, inserindo o Ladysmith Black Mambazo no circuito das grandes gravadoras, rendendo prêmios Grammy (com Shaka Zulu, de 1987) e culminando na apresentação durante a posse de Nelson Mandela, em 1994. No entanto, é Induku Zethu que melhor traduz a música vocal sul-africana do século XX.
Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club).






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