O disco Ka Allez Haut (1980), do grupo dominicano Gramacks, marca um ponto de maturidade dentro de uma trajetória já decisiva para a música caribenha.
Lançado quando a banda já havia firmado seu nome ao lado de pioneiros como Exile One, o álbum funciona como síntese e expansão de uma estética própria, a cadence-lypso. Uma linguagem híbrida que cruza calypso, compas haitiano, reggae e, cada vez mais, elementos de funk e disco.
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Em Ka Allez Haut, essa vocação aparece de forma direta. O disco ganha corpo com texturas eletrificadas e pulsação dançante, já apontando para o desenho que, poucos anos depois, se consolidaria no zouk — especialmente com grupos como Kassav’.
Dentro da discografia dos Gramacks, o álbum ocupa um lugar de transição, vindo depois dos grandes momentos dos anos 1970 e antecedendo a fase final, que desemboca em trabalhos como Roots Caribbean Rock (1984).
No centro, o vocal de Jeff Joseph sustenta a unidade. Sua interpretação equilibra energia festiva e carga emocional, num registro típico da música crioula francófona, ponte entre a tradição popular e a sofisticação urbana.
Ka Allez Haut captura um momento específico, quando a música caribenha, ainda profundamente enraizada em suas matrizes locais, começa a se abrir de forma mais explícita para uma linguagem global.
Foto: Produtora Senhor F (acervo da Produtora Senhor F).





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