Da Redação Carlos Alberto “Indio” Solari, uma das figuras icônicas da história do rock latino-americano, morreu aos 77 anos, encerrando uma trajetória que ultrapassou a música para se transformar em fenômeno social, político e geracional na Argentina.

Ex-vocalista e principal letrista da lendária banda Patricio Rey y Sus Redonditos de Ricota, natural de La Plata, e conhecida popularmente como Los Redondos, Solari foi durante décadas uma espécie de líder involuntário de uma geração inteira.

Sua morte provocou homenagens espontâneas em praças argentinas e uma onda de manifestações de artistas, movimentos sociais, clubes de futebol e figuras públicas, em especial a ocupação massiva da Praça de Maio, em Buenos Aires.

Ao lado de Skay Beilinson (grande guitarrista), Solari ajudou a construir uma banda singular, distante da televisão, avessa à lógica comercial tradicional e sustentada por uma ética radical de independência artística, que sobreviveu meio século.

Nos anos 1980 e 1990, enquanto a Argentina atravessava a redemocratização, crises econômicas e transformações sociais profundas, os Redondos se tornaram uma voz subterrânea para jovens que buscavam uma saída para suas vidas e para o país.

Segundo disco da carreira, lançado em 1986, Oktubre chegou ao mundo com capa de Ricardo Cohen) e conceito sob inspiração na Revolução de Outubro da Rússia de 1917, e sonoridade pós-punk & new wave.

Suas letras, deliberadamente ambíguas, costuravam fragmentos de literatura beat, política, crítica social, paranoia urbana e imagens beirando o surrealismo, resultaram no que passou a se chamar “religião ricotera”.

Essa ideia ganhou forma concreta nas gigantescas “Misas Ricoteras”, os históricos shows dos Redondos e, mais tarde, de Solari em carreira solo, com fãs atravessando a Argentina em ônibus, carros e caminhões para assistir aos concertos.

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O último grande show de Solari em Olavarría, em 2017, reuniu uma multidão estimada em cerca de 300 mil pessoas e terminou em tragédia, com mortes e problemas de segurança que marcaram o encerramento de sua trajetória nos palcos.

Na Argentina, poucas figuras do rock alcançaram o ponto em que música, identidade coletiva e experiência social se confundem, como Índio . Indio chegou lá há muito tempo. Como dizia uma de suas frases mais repetidas pelos fãs, o futuro havia chegado fazia tempo.

Discografia de Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota

  • Gulp! (1985)
  • Oktubre (1986)
  • Un Baión para el Ojo Idiota (1988)
  • Bang! Bang!… Estás Liquidado (1989)
  • La Mosca y la Sopa (1991)
  • Lobo Suelto, Cordero Atado – Vol. 1 (1993)
  • Lobo Suelto, Cordero Atado – Vol. 2 (1993)
  • Luzbelito (1996)
  • Último Bondi a Finisterre (1998)
  • Momo Sampler (2000)

Discografia solo / Los Fundamentalistas del Aire Acondicionado

  • El Tesoro de los Inocentes (Bingo Fuel) (2004)
  • Porco Rex (2007)
  • El Perfume de la Tempestad (2010)
  • Pajaritos, Bravos Muchachitos (2013)
  • El Ruiseñor, el Amor y la Muerte (2018)

Com Senhor F – A Revista do Rock, El País e Wikipedia.

Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F)

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