O álbum Le Roi de Malinga, do guitarrista e compositor congolês Geo Bilongo, é um clássico do soukous voltado para os circuitos da diáspora africana na Europa. O título evoca a “malinga”, estilo de dança e cadência rítmica popularizada no Congo colonial dos anos 1940 e 1950, que fundiu elementos de danças folclóricas locais com a polca europeia e ritmos afro-cubanos.
Em Le Roi de Malinga, Geo Bilongo avança na evolução do gênero com arranjos sustentados por guitarras sobrepostas, percussão acelerada e linhas contínuas de contrabaixo. O disco de estreia também avaliza Bilongo a reivindicar o posto de representante da tradição da malinga sob a ótica do soukous oitentista, em alta na época.
Nos anos 1930, a malinga havia sido a base para o desenvolvimento da rumba congolesa nos anos 1940 e 1950, que posteriormente evoluiu para o soukous. Nesse período, antes de moldarem o que viria a ser a rumba moderna, nomes como Paul Mwanga e, posteriormente, Paul Kamba e o jovem Wendo Kolosoy foram destaques do gênero.
A malinga deu origem à primeira noite boêmia do Congo. O disco Le Roi de Malinga é um registro sonoro da transição entre os primeiros gêneros musicais modernos bailáveis do rio Congo e as produções elétricas dos estúdios franceses. O encontro com o soukous terminou de engendrar a sonoridade que explode neste disco de Bilongo.
Nascido na República Democrática do Congo, Bilongo começou a tocar violão aos 11 anos em Kinshasa, assimilando influências de Django Reinhardt, Jimi Hendrix e Wes Montgomery. Antes de sua fase europeia, integrou grupos da cena congolesa nas décadas de 1970 e 1980 e, mais tarde, atuou com grandes nomes como Papa Wemba e Aurlus Mabele.
Foto: Produtora Musical Senhor F (acervo Senhor F)





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