Formado no final de 1974 por uma dissidência de peso da Zaiko Langa Langa, Papa Wemba, Evoloko Jocker, Mavuela Somo e Bozi Boziana, o grupo Isifi Lokole durou pouco mais de um ano em sua formação original.

Ainda assim, produziu um dos registros mais fascinantes da moderna música congolesa, o clássico capitaneado pelo sucesso de Amazone, marco da juventude zairense de sua época.

O disco que imortalizou Amazone é uma peça-chave para compreender a transição entre a rumba congolesa clássica e o que o Ocidente viria a rotular como soukous, gênero que tomou conta do continente.

Esta coleção de singles, em edição japonesa, também contém a raiz do som de pista que tomou conta, especialmente da Europa, nos anos seguintes – enxuto, centrado nas guitarras, com percussão acentuada e e hiperdançante.

Os três discos reúnem gravações da banda em sua formação original, também da segunda formação Yoka Lokole, e traz versão alterativa para a música Maloba Ya Bakoko (bis), que fecha o box.

  • Enquanto a rumba tradicional privilegiava o andamento moderado influenciado pelo son cubano, a Isifi Lokole incorporou o toque polirrítmico do lokole.
  • A estrutura canção tradicional foi progressivamente encurtada para dar lugar ao sebene — a metade instrumental final das faixas, onde as guitarras entrelaçadas ditam passos de dança frenéticos como o cavacha.
  • O quarteto de vocalistas dividia harmonias agudas e lamentos rurais transpostos para o asfalto, antecipando o arquétipo dos sapeurs (membros do movimento da SAPE) que Papa Wemba lideraria nos anos seguintes.

O nome da nova banda traduzia as intenções estéticas e sonoras de seus integrantes. Isifi, significava Institut du Savoir Idéologique pour la Formation des Idoles). Lokole, referência ao tambor de fenda de madeira tradicional usado na bacia do Rio Congo para comunicação entre aldeias.

Com um ano de grupo, Wemba, Somo e Boziana debandaram para fundar a efêmera Yoka Lokole , antes de Papa Wemba finalmente fundar sua obra-prima definitiva, o Viva La Musica, em 1977).

Isifi Lokole / Yoka Lokole – Manifestation 1974-1976

  • Formato: Caixa / Conjunto de 3 LPs (Japão, 1987)
  • Selo: P-Vine Records (AC-10023-25) / Blues Interactions, Inc.

Disco 1 (AC-10023) – Isifi Lokole

  • Lado A
    1. Amazone
    2. Ainsi Va La Vie
  • Lado B
    1. 2x2x2
    2. Mokili Ebaluki

Disco 2 (AC-10024) – A Transição / Yoka Lokole

  • Lado A
    1. Matembele Bangi
    2. Maloba Ya Bakoko
  • Lado B
    1. Kulu Pende
    2. Maloba Ya Bakoko (bis)

Disco 3 (AC-10025) – Yoka Lokole

  • Lado A
    1. C’est La Vie
    2. Moseka
  • Lado B
    1. Aya
    2. Atanga

A rota japonesa

As faixas nasceram em compactos rústicos de 7 polegadas (45 RPM) nos estúdios de Kinshasa entre 1974 e 1975 para animar os bares de Matonge, mas sua sobrevida definitiva em LP ganhou contornos inesperados no outro lado do mundo.

Esta compilação em vinil é fruto do mercado fonográfico japonês dos anos 1980, período em que selos nipônicos especializados licenciaram matrizes da África Central, prensando edições de alta fidelidade em vinil virgem.

Um documento que tirou o som orgânico e nervoso da Isifi Lokole das distantes pistas congolesas e o eternizou com um alto padrão de produção para a história dos colecionadores mundiais.

Com informações de Afropop Worldwide, Mboka Mosika (Kinshasa), do livro Rumba on the River: A History of the Popular Music of the Two Congos (Gary Stewart, Verso, 2000) e Discogs / Sterns Music.

Foto: Produtora Musical lSenhor F (acervo Senhor F)

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