Quando o guitarrista amazonense Oséas Santos chegou a Belém no começo da década de 1980, a cena musical da cidade fervilhava entre bailes, aparelhagens e bandas de bairro que ajudaram a moldar o som que mais tarde seria reconhecido como guitarrada.

É nesse ambiente que nasce Lambadas Nacionais, disco de estreia do grupo Lambaly, lançado pela gravadora Gravasom. O álbum é um registro precioso de um momento em que a música amazônica buscava novos caminhos rítmicos e identitários.

  • O ano exato do lançamento do disco ainda é uma incógnita, devido a ausência desta informação na capa ou no selo interno do vinil. O ano mais citado é o de 1981, mas sites especializados como o Discogs apontam o ano de 1980.

Oseas, autodidata nascido em Tefé, já se destacava por sua destreza técnica e por um estilo que mesclava fluidez melódica, velocidade e forte apelo dançante.

Seu trabalho encontrava eco entre músicos da cena paraense, como reconheceu o guitarrista Félix Robatto, que o descreveu como “ligeiro” e responsável por imprimir à guitarrada uma “pegada de quadrilha junina”.

A gravadora destacava na capa a faixa “Melô do planeta”, evidenciando sua aposta no potencial popular do disco. E de fato, o repertório confirma o espírito de época, apresentando músicas compostas para animar bailes e festas, sem perder a elegância instrumental.

Embora posteriormente Oseas tenha se tornado um dos nomes fundamentais da guitarrada, assinando discos sob o codinome Carlos Marajó, abrindo a série Guitarradas e consolidando sua carreira solo, sob o nome de “Oseas e sua guitarra maravilhosa”, Lambadas Nacionais permanece um ponto de partida simbólico.

Lambadas Nacionais não é apenas a estreia de uma banda; é um marco da musicalidade amazônica. O disco registra a potência de um guitarrista singular num momento de efervescência criativa.

Revisitar esse álbum hoje é reconhecer a inventividade regional que moldou a lambada, a guitarrada e muito da sonoridade pop amazônica. Um trabalho essencial para compreender a formação de um estilo e a trajetória de um de seus mestres.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Trending