O panteão da música popular brasileira “de raiz” forjada nos auditórios de rádio e consagrada nos alto-falantes de feiras e bares do interior perdeu neste sábado, 14, um de seus personagens mais emblemáticos.

  • Oswaldo Bezerra, autoproclamado e, para muitos, o legítimo “Rei do Brega”, faleceu aos 92 anos no Hospital Municipal de Brumado, na Bahia.

A trajetória de Bezerra confunde-se com a própria evolução do gênero romântico no Brasil. Antes da consolidação do termo “brega” como estigma e, posteriormente, como estilo cultuado, Oswaldo já transitava pelos meandros da indústria fonográfica.

Sua carreira teve início ainda na “Era de Ouro” do rádio no Rio de Janeiro, na década de 1950, onde obteve destaque em programas de calouros da Rádio Tupi, dividindo a cena incipiente com nomes que se tornariam lendas, como Ângela Maria.

No entanto, foi longe dos holofotes da MPB universitária que Oswaldo Bezerra construiu seu verdadeiro legado. Com uma discografia extensa — o artista contabilizava centenas de composições —, ele se tornou uma voz onipresente no Norte e Nordeste do país.

Canções como “Cachaça Amiga”, “Sou Caminhoneiro” e “Não Brinca Comigo” são exemplares perfeitos de uma lírica direta, que narra as desventuras amorosas e o cotidiano do trabalhador brasileiro sem filtros ou metáforas complexas.

Em diversas entrevistas e registros documentais, o cantor sustentava que a alcunha de “Rei do Brega” lhe pertencia muito antes de ser atribuída a outros ícones do gênero, como Reginaldo Rossi.

Para Bezerra, o título não era pejorativo, mas uma patente de autenticidade que ele ostentava com orgulho, representando a música feita para o povo.

Nos últimos anos, Oswaldo residia em Livramento de Nossa Senhora (BA), mantendo-se como uma figura de resistência cultural, ainda ativo na memória de seus admiradores locais.

Seu falecimento, decorrente de complicações de saúde, encerra um ciclo vital, mas deixa para pesquisadores e aficcionados um vasto material para o entendimento da música de massa produzida no Brasil pré-digital.

O corpo de Oswaldo Bezerra foi sepultado neste sábado no Cemitério Jardim da Saudade, em Livramento de Nossa Senhora. Fica o registro de um artista que, à sua maneira, ajudou a escrever a história sentimental de um Brasil profundo.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F).

2 respostas para “A partida de Oswaldo Bezerra, o pioneiro que reivindicou a coroa do ‘brega’”

  1. Ele é e sempre será o verdadeiro Rei do Brega. Comecei a escutá-lo na década de noventa na somzoom sat. Mas era muito difícil encontrar um cd o uma fita. Somente muito tempo depois encontrei algum material. Já no começo dos anos 2000 até mesmo na internet não havia nada dele. Seu nome não será esquecido por quem gosta de música brega.

    1. Discos Raros da Amazônia: (20) Oswaldo Bezerra / Rei do Brega

      No repertório de 12 músicas, algumas pérolas, entre elas, “Dama de Vermelho”, uma espécie de versão original de “Garçom”, uma lambada – “Lambada do Pará”, e uma homenagem a Mestre Vieira, Mestre Cupijó e Pinduca, em “Artistas do Pará”.

      https://senhorf.com.br/amazonia-bigrave/discos-raros-da-amazonia-20-oswaldo-bezerra-rei-do-brega/

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