O disco Rei do Brega (Volume 3), lançado em 1983, é um testamento sonoro da força popular do artista que confunde-se com a própria evolução e consolidação do gênero romântico no Brasil.

Antes mesmo de o termo “brega” ser utilizado, primeiro como estigma e, décadas depois, como um estilo musical reverenciado e cultuado, Bezerra já pavimentava seu caminho pelos meandros da indústria fonográfica.

Com uma discografia extensa que contabiliza centenas de composições, como “Cachaça Amiga”, “Sou Caminhoneiro” e “Não Brinca Comigo”, Oswaldo dominava como poucos uma lírica direta, sem a necessidade de metáforas complexas.

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Musicalmente, o disco é enriquecido por uma participação para lá de especial: o guitarrista Aldo Sena, então bem no início de sua longeva carreira, cujos arranjos ajudam a dar o tom inconfundível do balanço regional que permeia a obra.

No repertório de 12 músicas, algumas pérolas, entre elas, “Dama de Vermelho”, uma espécie de versão original de “Garçom”, uma lambada – “Lambada do Pará”, e uma homenagem a Mestre Vieira, Mestre Cupijó e Pinduca, em “Artistas do Pará”.

A música “Dama de Vermelho” chama atenção imediata pela sua forte semelhança narrativa e melódica com o mega-hit “Garçom”, imortalizado por Reginaldo Rossi e cantada até os dias de hoje no país.

“Dama de Vermelho” foi gravada quatro anos antes de Rossi lançar “Garçom” (que abre o disco Teu Melhor Amigo, de 1987), mostrando a vanguarda lírica de Bezerra no retrato das dores de cotovelo nas mesas de bar – ouça aqui no Spotify.

  • “Artistas do Pará”: Uma verdadeira carta de amor à riqueza musical nortista. Nesta faixa, Bezerra faz reverência aos gêneros regionais citando nominalmente gigantes da música paraense, como Mestre Vieira, Pinduca, Mestre Cupijó e o próprio Aldo Sena (que toca no disco), cimentando a ponte cultural entre o romantismo de rádio e a efervescência da guitarrada e do carimbó – ouça aqui no Spotify.

Correção histórica

É fundamental também fazer uma correção histórica importante para os ouvintes modernos: o álbum aparece erroneamente nas plataformas digitais de streaming com a data de 1997.

Na verdade, o disco foi originalmente lançado em 1983, pelo selo Fermata; o ano de 1997 refere-se apenas à reedição do material para o formato digital, não à gravação original.

A correção cronológica alimenta a hipótese, estudada por pesquisadores do brega, de que Reginaldo Rossi bebeu (direta ou indiretamente) de um repertório já estabelecido por artistas como Oswaldo Bezerra.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club)

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