Quando se fala na era de ouro da música da África Ocidental, poucos nomes ecoam com tanta reverência quanto o da Orchestra Baobab. Formada no final dos anos 1960 e consolidada na década seguinte como a banda residente do lendário Club Baobab, o grupo foi o grande responsável por “enraizar o som senegalês no mundo”.

Nesse contexto, o álbum Mouhamadou Bamba, editado originalmente em 1980, desponta como uma das obras máximas desse caldeirão cultural. Lançado em vinil pelo selo Productions Jambaar / Le Kiosque d’Orphée, Mouhamadou Bamba capta a Orchestra Baobab em um momento de absoluta maturidade criativa e refinamento.

O som do Baobab, em particular neste disco, é um testamento da profunda conexão entre a África e Cuba. Eles absorveram o son cubano, a rumba e o bolero, costurando-os com as tradições griot, os vocais emocionantes e a rítmica Wolof e Mandinga. A guitarra solo do lendário Barthélémy Attisso é o fio condutor da obra.

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A base rítmica, ancorada pelo baixo profundo de Charles Ndiaye e por uma percussão rica, cria o terreno perfeito para que os arranjos tragam uma atmosfera de jazz afro-cubano com sotaque puramente senegalês. O disco traz participações especiais, como a do jovem cantor de Mbalax Thione Seck.

Enquanto outras bandas senegalesas enveredavam em direção ao mbalax mais frenético, a Orchestra Baobab provava neste disco que o groove cadenciado e elegante tem um poder atemporal. Mouhamadou Bamba é um documento cultural de uma África orgulhosa de suas raízes, moderna e aberta ao mundo.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club)

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