Cinco décadas após seu lançamento, o clássico álbum Durazno Sangrando,(1975), ganha um livro que revisita sua força musical, poética e histórica. Dedicada ao seu autor Luis Alberto Spinetta, a obra reúne textos em português e espanhol que analisam o álbum dentro do contexto cultural e político da Argentina dos anos 1970, às vésperas do golpe de Estado de 1976.
Organizado por Robson Pereira e Fernando Rosa, o livro é concebido como uma ação entre amigos — antigos e novos — unidos pelo amor à música, à escrita e ao legado de Spinetta. Participam autores argentinos e brasileiros com diferentes trajetórias, conectados à música e abertos ao diálogo cultural latino-americano. Entre eles estão jornalistas, psicanalistas e músicos, de diferentes gerações.
- O livro tem apresentação de Rafael Guimarães, capa de Eduardo Vieira da Cunha e projeto gráfico e diagramação de Priscila Maciel.
Os textos assumem múltiplas formas — memórias pessoais, ensaios breves, análises musicais do disco ou de faixas específicas, além de exercícios de ficcionalização. Como proposta central, os organizadores optaram por manter os textos em suas línguas originais, português ou espanhol, convidando o leitor a vivenciar o intercâmbio cultural no próprio ato da leitura.
Mais do que um tributo a um disco histórico, o livro reafirma a experiência compartilhada de uma América Latina marcada por passado colonial, ditaduras recorrentes e uma luta permanente pela democracia, pela liberdade criativa e pela abertura às diferenças — valores profundamente presentes na obra de Spinetta.
Luis Alberto Spinetta (1950–2012)
Figura central do rock argentino e um dos artistas mais influentes da música latino-americana, Spinetta iniciou sua trajetória ainda adolescente. Com o Almendra, no final dos anos 1960, ajudou a inaugurar o rock argentino moderno, unindo lirismo, poesia sofisticada e experimentação.
Nos anos seguintes, liderou projetos fundamentais como o Pescado Rabioso, de onde surgiu o clássico Artaud (1973), e o Invisible, banda com a qual expandiu as fronteiras do rock progressivo e instrumental, alcançando em Durazno Sangrando um de seus momentos mais altos.
Ao longo de uma carreira marcada pela independência artística e pela inquietação criativa, Spinetta transitou por diversas linguagens, do rock pesado ao jazz-rock, tornando-se referência ética, estética e poética para gerações de músicos e ouvintes.
Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Produtora Senhor F Social Club).






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