No epicentro da revolução rítmica da música latino-americana no Século XX está um gigante caribenho chamado Pedro Laza (1904–1980). Junto com seu grupo Pelayeros, ele transformou a cumbia de manifestação rural em fenômeno urbano. Clarinetista genial, compositor e maestro de mão cheia, ele é peça-chave que explica a dimensão continental e mundial do gênero.

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Com a formação dos Pelayeros, Pedro Laza capturou a pulsação hipnótica da percussão tradicional e injetou uma poderosa parede de metais. O som da banda combinava instrumentos de sopro (clarinete, trompete e saxofone) com arranjos sofisticados que flertavam com a estética e a potência das big bands de jazz, mas sem diluir a alma colombiana.

  • O disco Navidad Negra (1960) é um marco fundamental que ajudou a transformar a cumbia de uma expressão folclórica rural em um fenômeno urbano e internacional.

As gravações viscerais de Pedro Laza não ficaram restritas às fronteiras colombianas, e também incluiram outros ritmos como o porro e o merecumbe; elas viraram febre, prensadas em LPs que circularam em vitrolas até hoje por toda a América Latina. Eles abriram a senda para que a cumbia deixasse de ser um tesouro regional e explodisse definitivamente como um gênero internacional.

O disco homônimo, lançado em 1960, por Discos Fuentes, traz a faixa que é um clássico absoluto do repertório latino-caribenho, a música “Navidad Negra”. Um registro suingado e imortal que soa tão fresco e perigoso hoje quanto na época em que foi concebido. Isso explica Pedro Laza y Sus Pelayeros ser lembrado pelas novas gerações da vanguarda musical colombiana.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club).

*Adereço: peça da Cerâmica Lunar.

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