Há obras que estão à frente de seu tempo. Uma delas é o disco Tago Mago, da banda alemã Can, um dos melhores álbuns de krautrock da história. Lançado em 1971, a obra influenciou as gerações vindouras e inspirou novos gêneros como o trance e outras vertentes eletrônicas.

Apenas como exemplo, o Public Image Ltd (PiL) não existiria, ou soaria menos radical, não fosse a audição deste álbum. Ainda hoje, em uma comparação direta, o Kraftwerk parece música de velhos PCs e Frank Zappa soa como um intelectual enfadonho.

O disco permanece absurdamente moderno, mesmo após tantas invenções feitas em nome da modernidade. Menos influenciado pelo rock clássico, mas sem perder a referência no gênero, o Can lançava mão de toda sorte de instrumentos e recursos de estúdio típicos daqueles anos inventivos.

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Em Tago Mago, o grupo era formado pelo tecladista Irmin Schmidt, o baterista Jaki Liebezeit, o baixista Holger Czukay, o guitarrista Michael Karoli e o cantor japonês Kenji “Damo” Suzuki — uma espécie de “Iggy Pop techno-punk“.

No disco, com apenas sete faixas, destacando-se “Halleluwah” (com 18min30s), “Paperhouse” e “Mushroom”, estão presentes sonoridades, instrumentos, levadas rítmicas e soluções harmônicas insuperáveis.

Mas não se deve pensar em um álbum “cabeçudo”; ao contrário, Tago Mago é uma viagem ao mundo da psicodelia dos anos 60 e 70 como poucos artistas ousaram realizar.

É, sem dúvida, um dos álbuns mais audaciosos, inventivos e futuristas da história do rock.

Foto: Produtora Senhor F (do acervo da Produtora Senhor F).

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