Formado na Nigéria durante os anos 1970, o grupo surgiu em meio à efervescência do highlife africano, incorporando também elementos do soukous congolês e das sonoridades dançantes que dominavam as pistas de dança da África Ocidental. Liderada por músicos experientes da cena nigeriana, a banda produziu uma sequência de discos, entre os quais um deles encontrou seu destino do outro lado do Atlântico.
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Foi nos portos de Cartagena e Barranquilla, na costa caribenha da Colômbia, que os discos dos Super Negro Bantous ganharam uma segunda vida. Importadas por marinheiros, comerciantes e colecionadores. Suas gravações passaram a integrar o repertório dos lendários picós, os gigantescos sistemas de som que animavam festas populares e verbenas nos bairros afrodescendentes da região.
Entre elas, a música “Help Yourself”, de disco lançado em 1977, também conhecida como “People Not Fit Understand”. Nos bailes colombianos, porém, a faixa ganhou um novo nome: “El Ején”. Como acontecia com frequência na cultura dos picós, a música foi rebatizada pelos DJs e colecionadores locais, tornando-se um clássico cuja fama muitas vezes superava o conhecimento de sua origem.
Com suas guitarras entrelaçadas e ritmo contagiante, “El Ején” transformou-se em um dos maiores hinos da chamada “champeta africana”, influenciada por sons da Nigéria, do Congo e outros países. Décadas antes da consolidação da champeta como gênero colombiano, canções como “El Ején” contribuiram para moldar o gosto musical do público e formar músicos locais.
O grupo Super Negro Bantous ocupa um lugar especial na história da circulação da música africana na Colômbia, sobretudo na costa caribenha. Embora fosse uma banda nigeriana ligada ao universo do highlife, do afro-funk e de influências congolesas do soukous, suas gravações acabaram se tornando parte fundamental da cultura dos picós — os gigantescos sistemas de som de Cartagena e Barranquilla (Afrosunny) .
Hoje, os Super Negro Bantous são reconhecidos não apenas como uma importante banda da música popular nigeriana, mas também como protagonistas de uma extraordinária conexão cultural entre a África e o Caribe colombiano. E “El Ején” continua na memória popular, nas playlists dos picoteiros e na história como um dos maiores clássicos da conexão musical afro-caribenha.
Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).






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