The Walkmen surgiu em Nova York em 2000 a partir dos escombros das bandas Jonathan Fire * Eater e The Recoys, no mesmo ecossistema que revelou Strokes, Interpol e Yeah Yeah Yeahs, mas enveredaram por um caminho menos calculado.

Das duas bandas, se somaram vocais tensos, entre o grito e a melancolia (especialmente em Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone), uma bateria personalíssima e guitarras que ora saturavam, ora embalavam as melodias cheias de nuances.

  • O guitarrista Paul Maroon, o baterista Matt Barrick e o organista Walter Martin vieram do Jonathan Fire * Eater, enquanto o vocalista Hamilton Leithauser e o baixista Peter Bauer vieram do The Recoys.

Enquanto boa parte daquela geração apostava em guitarras afiadas e estética de centro urbano, The Walkmen preferia a poeira acumulada sobre pianos tradicionais, órgãos antigos e gravações cheias de reverberações acidentais.

O grupo transformou instrumentos vintage e o ambiente do estúdio Marcata, construído pelos próprios integrantes, numa espécie de assinatura sonora, onde tudo parecia levemente gasto, como fotografias envelhecidas.

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No centro dessa arquitetura estava a voz de Hamilton Leithauser, um vocal que nunca pareceu interessado em perfeição técnica, mas soar como alguém tentando segurar algo prestes a desabar, entre o grito e a melancolia.

Do segundo disco, Bows + Arrows, a música The Rat virou símbolo de uma geração indie, com seu frenesi de bateria e guitarras nervosas, mais tarde amenizada por canções, melodias e arranjos mais sofisticados.

A Hundred Miles Off fez a transição agridoce, You & Me e Lisbon expandiam o horizonte para canções mais contemplativas, de beleza lenta e amarga; e Heaven parecia uma despedida involuntária — madura, elegante e serena.

Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).

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