A história africana é repleta tanto de heróis na política quanto nas artes, em especial na música. Em Angola, Elias José Francisco (nascido em 1936), conhecido como Elias diá Kimuezo, é um dos nomes mais importantes. Kimuezo levou instrumentos tradicionais para o cenário urbano, revolucionou arranjos e cantou no idioma materno em pleno regime colonial português.
Entre os anos 1960 e 1970, liderou e colaborou com formações seminais, como os conjuntos Dikindas dos Dembos, Águias Reais e os Jovens do Prenda. As suas letras de forte teor crítico e engajamento social desafiaram a censura. Ele acabou preso pela polícia política portuguesa (PIDE) em 1969, episódio que apenas consolidou sua estatura de herói popular.
A discografia de Kimuezo reúne alguns dos maiores clássicos do cancioneiro angolano. Lançados principalmente em compactos de 7 polegadas por selos históricos como a N’Gola e a CDA, temas como “Diala Monzo”, “Zuany”, “Agostinho Neto”, “Lamento de Mãe” e “Caminho do Ferro” documentam o apogeu da era de ouro da música de Luanda.
Sua herança vocal e poética influenciou as gerações futuras, de Bonga a Paulo Flores, perpetuando-se como documento vivo da memória cultural de Angola. Hoje, com 90 anos de idade e 63 de carreira, e cantando apenas suas canções, ele se tornou em dos artistas mais importantes da África.
Principais Obras e Registros
Sua discografia, basicamente em compactos em vinil por selos históricos como a N’Gola e a CDA, reúne clássicos definitivos do cancioneiro angolano, como:
– Diala Monzo
– Zuany
– Agostinho Neto
– Lamento de Mãe
– Samy di Kimbundu
– Caminho do Ferro
A conexão Brasil x Angola
Coroado pelo público como o “Rei da Música Angolana”, Elias diá Kimuezo estabeleceu a ponte entre as raízes ancestrais e o semba moderno. Em 1983, veio ao Brasil (veja abaixo) a convite de Martinho da Vila para gravar com ele e Chico Buarque no projeto “Canto Livre de Angola”.
O encontro entre Elias Diá Kimuezo, Chico Buarque e Martinho da Vila se deu três anos antes, em 1980, durante o projeto cultural e caravana artística Kalunga, realizada em Luanda, marcando a ponte musical direta entre o semba angolano e o samba brasileiro pós-independência de Angola.
Lado A
- A1. Carlos Burity – Monami (Acompanhamento: Semba Tropical)
- A2. Joy Artur, Pedrito, Carlos Burity, Dina Santos – Rapsódia De Semba (Carnaval, Kisselenguenha, Mama Lala, Manazinha)
- A3. André Mingas – Makezu
- A4. André Mingas, Filipe Mukenga – Humbiumbi
- A5. André Mingas – Morro Da Maianga
- A6. Filipe Mukenga – Lemba
Lado B
- B1. Robertinho – Ka-Kinhetu
- B2. Elias Diá Kimuezo – Kalumba
- B3. Carlito Vieira Dias – Violão e Percussão
- B4. Rodolfo Kituxi – Ngi Tabule
- B5. Paulo Kaita – Endjomba
- B6. Mestre Geraldo – Os Brasileiros
- B7. Dona Sofia, Waldemar Bastos, Mestre Geraldo – Velha Xica
Além da identidade originária com o semba, o compositor Elias diá Kimuezo (conhecido como o “Rei da Música Angolana“) e o sambista brasileiro Martinho da Vila tem em comum um dos marcos mais importantes do intercâmbio cultural e musical entre Angola e o Brasil.
Em 1983, Martinho da Vila idealizou e realizou o projeto Canto Livre de Angola, com grandes nomes da música angolana, na época, e ainda hoje pouco conhecidos no Brasil. Além de show, o projeto resultou em um disco coletivo destacando artistas de Angola e clássicos do cancioneiro angolano.
Outro marco musical
O álbum Lusofonia, de Martinho da Vila, lançado em 2000, é outro marco discográfico no diálogo cultural e musical entre o Brasil, Portugal e os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP).
O repertório trânsita entre diversos gêneros e ritmos, como semba e kizomba (Angola), coladeira Cabo Verde), marrabenta (Moçambique),fado e gumbé (Guiné-Bissau), com participação de músicos africanos, como BOnga e Tito Paris.
O projeto nasceu da longa atuação de Martinho como embaixador cultural e pesquisador das matrizes que unem as margens do Atlântico Negro, que teve início nos anos 80 e pontuou toda a sua carreira.
Foto: Divulgação / Reprodução das redes.
- Com informações do Ministério da Cultura de Angola, encartes de discos e Discogs.






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