A gravadora Disques Debs foi fundada em 1959 por Henri Debs em Pointe-à-Pitre, a principal cidade de Guadalupe. Extinta em 1984, a Disques Debs sustentou o surgimento de gêneros musicais, alimentou o mercado regional e projetou dezenas de artistas e grupos.

Ao longo de mais de cinco décadas de atividade, a gravadora lançou centenas de compactos e LPs, muitos deles clássicos de sua época. Obras que documentaram a transição da tradicional biguine, do bolero e do gwo ka até a invenção da cadence-lypso e a consolidação mundial do zouk.

A revolução da Cadence-lypso (anos 1970) – Ao fundir o compas haitiano com o calypso de Trinidad y Tobago, os grupos lançados pela Disques Debs eletrificaram as Antilhas. Les Aiglons emplacou o megassucesso “Cuisse-la” (1976), recorde de vendas na região. Por sua vez, Exile One também utilizou o selo e os estúdios Debs para inaugurar e batizar o gênero cadence-lypso.

Disques Debs gravou e distribuiu grupos que se tornaram ícones do cadence-lypso, como os já citados Les Aiglons e Exile One, que marcaram o som das Antilhas Francesas. Os lançamentos eram produzidos na França e em Barbados (neste último caso, pela West Indies Records Ltd.) para distribuição mundial.

A incubadora do Zouk (anos 1980) – Com o avanço das baterias eletrônicas, sintetizadores digitais e linhas de baixo com timbres encorpados, o estúdio Debs forneceu as bases para a transição estilística que culminou no zouk. Além da atuação direta de Henri, seu irmão Georges Debs fundou a GD Productions, estreitamente ligada à produção de álbuns clássicos da banda Kassav.

A cadence-lypso, em especial, assim como o zouk, ajudaram a projetar a música caribenha no cenário global e a consolidar o Caribe como um polo criativo, cujas influências reverberaram em outras regiões do mundo, da Europa até o Norte do Brasil.

A longevidade da Disques Debs fez dela o principal arquivo sonoro da identidade crioula antilhana, mantendo independência autoral e criando a ponte rítmica direta que mais tarde influenciou as cenas de lambada, coladeira (Cabo Verde) e as guitarradas do norte da América do Sul.

Foto: Produtora Musical Senhor F (acervo Senhor F).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Trending