O disco The Band of Africa Vol. 1 chegou às lojas em 1975, quando Gnonnas Pedro já era um nome respeitado na África Ocidental. O disco marcava sua estreia fonográfica em álbum e afirmava seu nome como um dos principais artistas do país.

Lançado pelo selo nigeriano African Songs, o trabalho marcou o início de uma sequência de gravações que transformariam Pedro em uma referência continental.

> Siga o canal “Senhor F Social Club” no WhatsApp

O disco tornou-se uma referência para gerações posteriores de músicos africanos interessados em cruzamentos entre tradição e modernidade, África e Caribe, local e global.

É um registro emblemático de uma época em que Lagos, Cotonou e Havana pareciam ligadas por uma mesma corrente musical. Em 2024, o álbum recebeu uma remasterização oficial.

Em The Band of Africa Vol. 1, acompanhado pelos Dadjes Band, Pedro apresenta uma fórmula já madura. As guitarras entrelaçadas, os metais precisos e a percussão pulsante sustentam canções que transitam entre o afro-cubano e os ritmos locais.

Faixas como “Azo N’Kplon Doun Nde”, “Mo Ngbadun Re” e “Feso Jaiye” reúnem sofisticação melódica e apelo popular, criando uma música dançante e enraizada na cultura beninense.

O álbum também documenta um momento importante da música africana dos anos 1970, quando artistas do Golfo do Benim absorviam influências internacionais sem abrir mão de suas tradições. Nesse sentido, Gnonnas Pedro foi pioneiro.

Sua adaptação moderna do agbadja, um ritmo cerimonial tradicional do sul do Benim, ajudou a redefinir a música popular do país, rendendo-lhe posteriormente o título de “Rei do Agbadja Moderno”.

Ao longo da carreira, Gnonnas Pedro fundiu ritmos tradicionais do Benim com influências vindas de Cuba, do highlife nigeriano e das sonoridades urbanas que circulavam pela África Ocidental.

Cantava em várias línguas, incluindo fon, iorubá, francês, inglês e espanhol, e foi um dos artistas que melhor traduziu para o contexto africano a paixão regional pela rumba, pelo son e pela salsa cubana.

Não por acaso, tornou-se conhecido como uma espécie de “embaixador da música cubana na África”.

Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Trending