Lançado em 1968, Makeba! representa um dos momentos mais importantes da trajetória de Miriam Makeba. O álbum anterior, Pata Pata, havia projetado internacionalmente a artista graças ao enorme sucesso da faixa-título, Makeba!. Mas, com este disco, ela apontou em outra direção.
Em sintonia com a época, abandonou boa parte das concessões ao mercado pop norte-americano e mergulhou nas suas raíses musicais. Não por acaso, o crítico e poeta A. B. Spellman, que assina o texto de apresentação no encarte, definiu o disco como “o mais africano de seus trabalhos recentes”.
O repertório é composto quase integralmente por canções em línguas africanas, sustentadas por coros, estruturas vocais tradicionais e ritmos que remetem diretamente ao universo cultural que Makeba carregava consigo desde o exílio imposto pelo apartheid.
Faixas como “Umoya”, “Umquokozo”, “Iphi Ndilela” e “Sibongile” revelam uma cantora menos preocupada em dialogar com o mercado internacional e mais interessada em afirmar uma identidade africana autêntica.
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Para garantir a combinação do moderno com o “roots”, Miriam juntou-se a produtorese, entre eles Jerry Ragovoy (também autor de vários hits de Janis Joplin), o brasileiro Sivuca (arranjador de Pata Pata) e o engenheiro de som Bill Szymczyk (depois, Eagles, J. Geils Band, Joe Walsh).
Atualmente, o disco é visto como um documento artístico de enorme valor histórico, por registrar Makeba em plena afirmação de sua identidade africana e de seu papel como embaixadora cultural do continente.
É um disco menos voltado ao mercado e mais comprometido com a memória, a tradição e a resistência — características que ajudam a explicar por que muitos estudiosos o consideram uma das obras mais representativas de sua carreira.
Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).





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