Lançado em 1973, o álbum O Folclore da Amazônia, do Conjunto Som Pop, permanece como um dos registros mais ousados e decisivos para a modernização do carimbó. Em sintonia com sua época, o disco apresenta uma sonoridade que dialoga tanto com a cultura amazônica quanto com tendências contemporâneas da música popular brasileira dos anos 1970.

Além de raro, o disco O Folclore da Amazônia é um ponto de inflexão na música paraense. Sua combinação de tradição e modernidade permanece fresca, viva e relevante. O trabalho de guitarras, sopros e, especialmente, o saxofone de Zezinho Viana fazem do álbum uma obra indispensável para entender como o carimbó se renovou sem perder sua essência.

Com produção, direção e composição de Milton Yamada, o trunfo do álbum está na integração de guitarras elétricas e na presença marcante da seção de sopros, então pouco usuais no carimbó da época. A banda conseguiu inserir esses recursos sem descaracterizar a base rítmica tradicional dos tambores, criando uma estética que antecipa movimentos que floresceriam posteriormente.

Ainda basicamente utilizadas por Pinduca, as guitarras com levadas bailáveis e melodias pop ampliam a energia do disco sem sobrepor a pulsação percussiva. Já os sopros somavam ao carimbó tradicional um acabamento instrumental moderno, com ecos do jazz, do merengue e de outras tradições caribenhas que circulavam pela Amazônia urbana.

O saxofone de Zezinho Viana é um dos elementos mais marcantes do álbum de 1973, com suas melodias expressivas, improvisos elegantes e fraseados que ajudaram a redefinir o papel dos sopros dentro do carimbó. Fundamente para a estética do Sompop, o saxofonista atuava na cena belenense desde o final dos anos 1960, incorporando influências de jazz, bolero e outros ritmos do Caribe.

A ousadia do Conjunto Som Pop não apenas atualizou o carimbó, mas também expandiu sua capacidade de circulação, indo das festas comunitárias para os clubes, das rádios regionais para uma escuta urbana em crescimento. O álbum é hoje reconhecido como um dos primeiros registros fonográficos a propor essa síntese, abrindo caminhos para artistas e grupos que mais tarde consolidariam a modernização do gênero.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club).

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