A trajetória musical de Marinho teve início em uma das escolas do gênero, integrando o conjunto do lendário Mestre Solano, com quem gravou seus três primeiros discos e afiou sua técnica. No entanto, foi no ano de 1986 que Marinho cravou seu nome na história independente do Pará ao lançar o LP “Melô da Pirâmide”.
Gravado nos antológicos estúdios da Gravasom, em Belém, e prensado para o selo Discos Polydisc, o álbum transformou-se, com o passar das décadas, em uma das obras mais raras da discografia amazônica. Não apenas pela tiragem escassa, mas por sua guitarra particular, se tornou uma raridade entre os discos de guitarrada.
No disco, a genialidade de Marinho se desdobra em faixas emblemáticas que capturavam o espírito de uma época. O encerramento do disco, por exemplo, traz a antológica “Melô do Apaixonado”. Com seus sussurros de inegável apelo sexual, a faixa funciona como uma espécie de “Je T’aime… Moi Non Plus” em versão tropical.
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Lançado no mesmo ano em que o rock nacional estourava com Selvagem dos Paralamas do Sucesso (1986), o LP de Marinho apresentava a faixa “Invocado”, uma genuína “irmã-gêmea” rítmica do clássico “Alagados“, em versão instrumental, com a legítima pegada da lambada/guitarrada paraense.
Outro momento de brilhantismo puro no lado A e B é “Arrepiando”, onde Marinho desfila guitarras dobradas, evocando diretamente a técnica “hawaiana” do mestre Poly – influência vital que também moldou o som de heróis da mesma geração, como Mestre Vieira.
Como reza a tradição dos grandes resgates históricos, a ficha técnica de Melô da Pirâmide é um documento à parte. Acompanhando o mestre, o estúdio foi ocupado por um time de peso estão Guru na guitarra base, Júnior na bateria, Jorginho no baixo e Cláudio nos teclados.
O registro capturou a transição tecnológica da segunda metade dos anos 80 com o uso arrojado de bateria eletrônica. A engenharia e arquitetura sonora ficaram a cargo do técnico Fernando Arthur, com mixagem da Equipe A.
- Discos Raros da Amazônia é uma série de 20 obras raras da música do Norte, abrangendo os gêneros lambada, beiradão, carimbó e brega, lançados nos anos 70 & 80.
Veja a lista completa, com os links das resenhas atualizadas.
A direção artística foi de Américo Lima e a produção assinada por Charles, que também dividiu a autoria das composições com Marinho. A capa, hoje uma imagem icônica para os poucos que já a viram pessoalmente, foi assinada por Edna Batista, com fotografia da Foto Galeria.
Anos mais tarde, já na virada do século, em 2001, Marinho provaria mais uma vez seu faro para o sucesso popular ao assinar o hino brega “Rupinol”, um verdadeiro clássico que resiste nas setlists de rádios e festas de aparelhagem até os dias de hoje.
Foto: Senhor F Social Club (do acervo de Senhor F Social Club).






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