No álbum de 2025 de Milo J, intitulado La vida era más corta, há uma faixa chamada “El Invisible” em que o jovem músico argentino divide os vocais com a dupla Cuti y Roberto Carabajal.

Essa colaboração, entre um jovem do trap e mestres do folclore, ao mesmo que tempo em que simboliza a ponte entre tradição e inovação, despertou a atenção sobre a dupla de folcloristas.

No período de gravação de seu disco, Milo J visitou Santiago del Estero e se encontrou com Cuti Carabajal na casa de sua família, “no solar materno” em La Banda, o que gerou repercussão local, segundo o jornal El Liberal – leia a matéria.

Também foi documentado um momento de “guitarreada” entre Milo J, Cuti um momento de conexão entre a música urbana e o folclore.

  • “Quando o Milo chegou a Santiago, eu percebi na hora que ele vinha com respeito. Ele não veio buscar moda no folclore, veio buscar alma. Sentou no pátio, pegou o violão e ficou escutando antes de tocar qualquer coisa. Isso, para nós, vale mais do que mil palavras. Ele quer aprender como soam nossa chacarera e nossa zamba na terra onde nasceram, quer entender o pulso, o silêncio, a respiração. E isso não se finge. Quando a gente tocou junto, senti que havia verdade ali. Eu digo sempre: o folclore precisa de juventude, de gente que queira carregá-lo para a frente sem perder o respeito pelo que veio antes. O Milo faz exatamente isso. Ele traz frescor, traz outra sensibilidade, mas sem romper com o espírito da música. Ele abre caminho para que os jovens voltem a olhar para nossas raízes.” – Cuti Carabajal sobre Milo J.

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Quem são Cuty e Roberto Carabajal

Cuti Carabajal e Roberto Carabajal são uma dupla fundamental do folclore argentino contemporâneo, descendentes diretos do lendário clã musical Carabajal, de Santiago del Estero, berço da chacarera e da tradição musical argentina.

Sobrinho-netos de figuras históricas como Carlos e Agustín “Cali” Carabajal, eles pertencem à terceira geração de artistas da família, ao lado de nomes como Peteco Carabajal, Roxana Carabajal e Juan Saavedra.

A dupla começou a atuar nos anos 1980, inicialmente acompanhando músicos da família e participando das peñas e encontros tradicionais de La Banda, uma pequena cidade de cerca de 100 mil habitantes, no Norte argentino.

  • La Banda é conhecida como uma das capitais históricas do folclore argentino, berço de inúmeros músicos ligados à chacarera, zamba e às tradições do Norte argentino. Por isso, a cidade se tornou sede de diversos eventos culturais e musicais que ajudaram a consolidar e difundir esse patrimônio.

Durante os anos 1990, a dupla se tornou presença constante em festivais de ponta, como Cosquín, Jesús María e La Fiesta de la Chacarera — consolidando um estilo que combina força rítmica, arranjos modernos e profundo respeito pela tradição.

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Além do trabalho artístico, participam ativamente de iniciativas culturais, como a Marcha de los Bombos, símbolo da identidade santiagueña – veja abaixo.

Em 2025, ampliaram ainda mais sua relevância ao colaborar com o jovem artista urbano Milo J, aproximando novas gerações do folclore argentino.

  • A Marcha de los Bombos é uma celebração cultural enraizada na província de Santiago del Estero, Argentina, que homenageia o instrumento musical bombo legüero, símbolo da identidade e folclore local, reunindo milhares de pessoas que marcham tocando seus bombos pelas ruas, em um evento que se expandiu para outras cidades argentinas.

Ao longo da carreira, Cuti e Roberto gravaram discos que redefiniram a sonoridade santiagueña e ajudaram a popularizar a chacarera entre públicos jovens – um deles, entre os vários lançamentos, se destaca o primeiro, “La pucha con el hombre”.

O disco de estreia La Pucha con el hombre, lançado em 1991, é um clássico do folclore argentino.

Reconhecidos como guardiões da tradição, são também renovadores — incorporando novas sensibilidades sem perder a raiz camponesa da música, o que os aproximou de Milo J, jovem da geração da música urbana da periferia de Buenos Aires.

Com mais de quatro décadas de trajetória, Cuti y Roberto Carabajal permanecem como pilares da música nacional. São herdeiros, intérpretes e continuadores de uma tradição que segue viva, dinâmica e profundamente ligada à história cultural da Argentina, como mostra a participação no disco de Milo J.

Foto: Facebook Oficial dos artistas (imagem da capa).

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