O disco Rei do Brega (Volume 3), lançado em 1983, é um testamento sonoro da força popular do artista que confunde-se com a própria evolução e consolidação do gênero romântico no Brasil.
Antes mesmo de o termo “brega” ser utilizado, primeiro como estigma e, décadas depois, como um estilo musical reverenciado e cultuado, Bezerra já pavimentava seu caminho pelos meandros da indústria fonográfica.
Com uma discografia extensa que contabiliza centenas de composições, como “Cachaça Amiga”, “Sou Caminhoneiro” e “Não Brinca Comigo”, Oswaldo dominava como poucos uma lírica direta, sem a necessidade de metáforas complexas.
> Siga o canal “Senhor F Social Club” no WhatsApp
Musicalmente, o disco é enriquecido por uma participação para lá de especial: o guitarrista Aldo Sena, então bem no início de sua longeva carreira, cujos arranjos ajudam a dar o tom inconfundível do balanço regional que permeia a obra.
- Discos Raros da Amazônia é uma série de 20 obras raras da música do Norte, abrangendo os gêneros lambada, beiradão, carimbó e brega, lançados nos anos 70 & 80.
Veja a lista completa, com os links das resenhas atualizadas.
No repertório de 12 músicas, algumas pérolas, entre elas, “Dama de Vermelho”, uma espécie de versão original de “Garçom”, uma lambada – “Lambada do Pará”, e uma homenagem a Mestre Vieira, Mestre Cupijó e Pinduca, em “Artistas do Pará”.
A música “Dama de Vermelho” chama atenção imediata pela sua forte semelhança narrativa e melódica com o mega-hit “Garçom”, imortalizado por Reginaldo Rossi e cantada até os dias de hoje no país.
“Dama de Vermelho” foi gravada quatro anos antes de Rossi lançar “Garçom” (que abre o disco Teu Melhor Amigo, de 1987), mostrando a vanguarda lírica de Bezerra no retrato das dores de cotovelo nas mesas de bar – ouça aqui no Spotify.
- “Artistas do Pará”: Uma verdadeira carta de amor à riqueza musical nortista. Nesta faixa, Bezerra faz reverência aos gêneros regionais citando nominalmente gigantes da música paraense, como Mestre Vieira, Pinduca, Mestre Cupijó e o próprio Aldo Sena (que toca no disco), cimentando a ponte cultural entre o romantismo de rádio e a efervescência da guitarrada e do carimbó – ouça aqui no Spotify.
Correção histórica
É fundamental também fazer uma correção histórica importante para os ouvintes modernos: o álbum aparece erroneamente nas plataformas digitais de streaming com a data de 1997.
Na verdade, o disco foi originalmente lançado em 1983, pelo selo Fermata; o ano de 1997 refere-se apenas à reedição do material para o formato digital, não à gravação original.
A correção cronológica alimenta a hipótese, estudada por pesquisadores do brega, de que Reginaldo Rossi bebeu (direta ou indiretamente) de um repertório já estabelecido por artistas como Oswaldo Bezerra.
Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club)






Deixe um comentário