Lançado em 1982, o álbum “Emeneya Et L’orchestre Victoria – Verckys Présente Victoria” marca a entrada em cena de um dos músicos mais importantes na modernização da rumba congolesa e do soukous.

Indo além da rumba tradicional telúrica e orgânica, Emeneya Kester e o Victoria Eleison introduziram um rigor técnico, quase matemático, abrindo caminho para o som “digital” africano dos anos 80.

Neste disco, as harmonias vocais são arranjadas com uma precisão que elevou o canto congolês a um patamar de “coral urbano”, onde cada nota tinha um propósito emocional e estético.

O álbum de estreia refinou o soukous, acelerando o ritmo e limpando a textura das guitarras, que deixaram de ser apenas acompanhamento para se tornarem linhas melódicas cristalinas e hipnóticas.

No comando das guitarras estava Nseka Huit Kilos, que criou linhas melódicas extremamente limpas e dançantes, definindo o som do grupo e influenciando outros guitarristas.

  • Nseka Huit Kilos (Mbuta Nseka Bimuela), nascido em 1950, guitarrista, compositor e arranjador congolês, é figura central do soukous e da música pop do Zaire (depois Congo). Conhecido pelo seu estilo virtuoso, tocou com lendas como Papa Wemba e Tabu Ley Rochereau, influenciando o som da guitarra congolesa.

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A produção do músico e produtor Verckys Kiamuangana deu ao disco uma clareza sonora que ainda hoje soa moderna, contemporânea, como uma orquestra de câmara da era espacial.

Em suma, “Verckys Présente Victoria” é considerado uma espécie de marco zero da modernidade musical no Congo, provando que a África não precisava escolher entre suas raízes e a tecnologia.

Foto: Produtora Senhor F (acervo Produtora Senhor F)

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