Um dos grandes arquitetos da música amazônica moderna, o guitarrista, produtor e arranjador Manoel Cordeiro retorna com Te dou um Norte, trabalho que funciona como uma espécie de bússola afetiva e musical. O disco já pode ser ouvido nas plataformas digitais.
Se a música pop paraense conquistou o país nas últimas décadas, parte importante dessa história passa pelas mãos de Cordeiro. Seu trabalho ajudou a moldar a identidade da lambada, da guitarrada e do carimbó elétrico, construindo uma ponte permanente entre tradição popular e invenção contemporânea.
Em Te dou um Norte, o mestre volta a mostrar que a Amazônia sonora nunca foi peça de museu. A guitarra continua ocupando o centro da cena, com seu timbre limpo, suingado e imediatamente reconhecível, mas agora dialogando com sintetizadores discretos, texturas eletrônicas e referências que atravessam a cumbia, o zouk e os bailes tropicais.
Aos mais de 70 anos, Manoel segue interessado em movimento. O disco respira encontro de gerações, reforçado por participações que ampliam ainda mais seu alcance. Ao lado de Fernando Catatau, Lia Sophia, Patrícia Bastos e Amazônia Jazz Band, está Lambada da Serpente, com sua cumbia eletrônica.
Te dou um Norte não tenta transformar a Amazônia em produto exótico. Faz exatamente o contrário, apresenta sua força criativa como linguagem universal. E Manoel Cordeiro segue fazendo aquilo que sempre soube fazer desde os anos oitenta. Apontar caminhos.
Foto: Tereza Maciel (divulgação).






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