O dsco Nkolo-Mboka (“o coração do país”, em lingala), do grupo Zaiko Langa-Langa registra o momento que estavam sendo lançadas as bases definitivas do soukous que dominaria a África nas décadas seguintes. Um ritmo que transbordava a música para as ruas, trilhas de festas e bailes, afirmando a identidade pós-colonial – veja a história do grupo.

Lançado entre 1983/84, o disco traz uma nova sonoridade, com a saída dos metais, peso nas guitarras e, especialmente, a valorização do ritmo contínuo e hipnótico. Com isso, produziram um som mais direto, urbano e físico, sintonizando com a geração influenciada pelos anos 60. “Christine” pode ser a porta de entrada para o disco, que contém seis canções.

Outra característica sintonizada com o momento social e cultural, presente no disco, é o espírito de coletivo do grupo, não mais o tradicional “banda + cantor). A combinação de chamadas e respostas, refrões insistentes vozes quase em coral que traduzem a ideia da participação coletiva. O disco foi relançado em 1993, com produçõ do Fan Club Zaikko de Brazza (Brazzavile).

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Se os primeiros discos do grupo, no início dos anos 70, serviram para romper com o domínio da rumba clássica (de Franco e Tabu Ley), “Niolo-Mboka” representa o momento em que essa ruptura já está consolidada. Ele não é mais um experimento juvenil, mas o trabalho de uma banda que domina completamente a linguagem do Soukous.

Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Produtora Senhor F Social Club).

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