O site Senhor F (conhecido originalmente como Senhor F – A Revista do Rock), fundado em 1998, se tornou um dos veículos mais importantes do jornalismo musical independente brasileiro. Idealizado pelo jornalista Fernando Rosa, o site cumpriu um importante papel na transição de mídias e de público leitor na virada da século. Para definir o perfil histórico do site, é preciso considerar tanto o seu conteúdo editorial quanto sua estética e relevância cultural.
Em 10 tópicos, a orientação editorial original do site:
1. Foco no Underground e no Independente – Em sua primeira fase, o site foi um bastião da cena independente brasileira. Em vez de focar no mainstream, o Senhor F dedicava seu espaço a bandas de garagem, selos independentes e festivais fora do circuito comercial.
2. Resgate histórico e Arqueologia Musical – Uma das marcas registradas foi a “arqueologia” do rock. O site resgatou a história de bandas obscuras dos anos 1960 e 1970 (especialmente da Jovem Guarda, psicodelia e rock de garagem), contextualizando a genealogia do rock nacional.
3. Estética “fanzine” e jornalismo autoral – Originalmente, o estilo textual e visual remetia à era de ouro dos fanzines impressos. O site trazia um texto apaixonado, autoral, opinativo e profundamente informativo, afastando-se da frieza do jornalismo de portal de notícias tradicional.
4. Olhar latino-americano – Diferente de outros veículos que olhavam apenas para o eixo Brasil-EUA-Inglaterra, o Senhor F avançou para um forte vínculo com o rock da América Latina, promovendo o intercâmbio cultural com bandas da Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile, Peru e outros países latinos..
5. Defesa da “cultura de rede” – O site nasceu e cresceu junto com a popularização da internet no Brasil. Ele defendia a democratização da música através da rede, apoiando o download gratuito (quando o MP3 surgiu) e a conexão direta entre bandas e público.
6. Curadoria rígida e de vanguarda – O estilo do site era definido por uma curadoria fina. Se uma banda aparecia no Senhor F, significava que ela tinha o selo de qualidade e a relevância artística validadas por quem realmente entendia do assunto. O site não funcionava como um agregador de releases.
7. Estilo visual retrô e minimalista – Em suas várias versões ao longo dos anos, o layout costumava ser simples, direto e com forte apelo visual retrô, priorizando o texto, capas de discos e fotos de divulgação analógicas, sem excesso de banners ou poluição visual.
8. Descentralização geográfica – Em seus primeiros anos, o site quebrou a hegemonia do eixo Rio-São Paulo. Dava enorme destaque para as cenas de Brasília (onde fincou bases), Goiânia, Rio Grande do Sul, Nordeste e Norte, mapeando o Brasil musical de forma integral.
9. Atuação além da tela (selo e festivais) – O estilo do site era, e continua sendo, indissociável da sua atuação no mundo real. O Senhor F transformou-se em selo discográfico (Senhor F Discos) e produtor de eventos (Noite Senhor F, Senhor Festival e El Mapa der Todos).
10. Espírito enciclopédico – Mais do que um site de notícias diárias, o Senhor F funcionava como uma enciclopédia viva do rock de garagem. Suas matérias e entrevistas eram atemporais, servindo como fonte de pesquisa histórica até os dias de hoje.
Após 25 anos de existência (em 2023), e uma pandemia no meio, o site Senhor F reorientou sua atividade editorial em direção a outras regiões, gêneros musicais e história. Nesta nova fase do site, rumo ao cinquentenário, o site busca aproximar o público brasileiro das músicas amazônica, caribenha e africana. Nesse sentido, o site ganhou um novo desenho e editorial voltadas para organizar e orientar a leitura dos novos conteúdos. O editor Fernando Rosa segue à frente do site.
Leia mais: saiba mais sobre a história do site Senhor F

Em 10 tópicos, a nova fase evolução editorial do site:
1. Atuação pioneira e contínua – Fundada em 1998, a publicação mantém-se ativa e relevante na internet. Sob o novo formato de Senhor F Social Club, o site preserva sua essência independente enquanto dita novas rotas musicais no cenário contemporâneo.
2. Expansão para a música da Amazônia – Rompendo de vez com o eurocentrismo e o foco exclusivo no Sul/Sudeste, o site hoje dedica um espaço robusto à amazônia sonora. O veículo mapeia gêneros regionais modernos e históricos do Norte do Brasil, como a guitarrada, o carimbó, o banguê, o marabaixo, o brega e o beiradão.
3. Conexão com o “Grande Caribe” – O estilo editorial atual mergulha profundamente na bacia cultural caribenha. O site analisa a influência de ritmos como o son, merengue, calipso, zouk e cadence, traçando paralelos diretos entre a sonoridade afro-latina-caribenha e a formação da música popular do Norte do Brasil (como a origem da lambada).
4. Resgate da “África Infinita” – A cobertura do Senhor F expandiu-se além-mar para a música africana clássica e contemporânea. Através de seções dedicadas e curadorias de playlists, o portal investiga as origens e os desdobramentos de gêneros fundamentais (como a rumba congolesa) e o intercâmbio com a diáspora.
5. Arqueologia Musical e memória viva – O resgate histórico continua sendo um pilar inabalável. Seja investigando o rock de garagem obscuro dos anos 1960 e 1970 ou resgatando a discografia completa de lendas esquecidas da música regional (como o Mestre Cupijó), o portal atua como um museu digital da música.
6. Curadoria fina e linguagem objetiva – Afastando-se dos algoritmos frios dos streamings, o Senhor F foca em uma curadoria humana ultraespecializada. Suas resenhas, artigos e playlists exclusivas (como as seleções de “Ondas Tropicais”) servem como um farol de alta qualidade para o ouvinte exigente.
7. Jornalismo Autoral e de Resistência – O estilo de escrita, capitaneado pelo jornalista Fernando Rosa, mantém o tom apaixonado e altamente informativo. Em tempos de cliques rápidos e textos superficiais gerados para redes sociais, o portal resiste ao oferecer ensaios profundos e entrevistas de fôlego.
8. Estética digital limpa e focada no conteúdo: O design atual do site prioriza a legibilidade e a imersão textual. Com um visual sóbrio, dá total destaque às artes de capas de LPs analógicos, fotografias históricas e links diretos para audição, evitando a poluição visual das mídias tradicionais.
9. Integração com a cultura do vinil e eventos: O estilo do Senhor F transcende a tela. O site está diretamente conectado a projetos práticos, como discotecagens especializadas, a promoção de palestras, audições no Clube do Vinil e a atuação da Produtora Senhor F, unindo a pesquisa jornalística à vivência física da música.
10. Descentralização e antropologia sonora – A linha editorial atual funciona como uma verdadeira cartografia cultural. Ao cruzar o rock psicodélico clássico com as batidas periféricas afro-latinas e a floresta amazônica, o Senhor F redefine o que significa ser um veículo de música de vanguarda no Brasil.
Foto: Produtora Senhor F Social Club.





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