Há uma linhagem sagrada na música paraense que brota diretamente das margens do Rio Tocantins, na histórica Cametá — a lendária terra do Mestre Cupijó. É desse solo fértil que floresce o talento de Manoel Monteiro Tavares, o mestre Manezinho do Sax.

Sargento músico da Polícia Militar, tarimbado nos bailes da vida com Os Populares de Igarapé Miri e o antológico grupo Uirapuru de Mestre Verequete, Manezinho sintetiza como poucos a transição do carimbó de raiz para a modernidade instrumental que tomou o Norte do país de assalto na década de oitenta.

Lançado originalmente em 1987 pela lendária gravadora Continental, “Volume 3”, com participação da banda de Manoel Cordeiro, é o ápice da maturidade artística do saxofonista. Se nos discos anteriores Manezinho já demonstrava um domínio técnico impecável, aqui ele atinge o estado de graça.

O casamento entre o fraseado chorado, quente e veloz do saxofone de Manezinho com a cozinha rítmica e as guitarras cirúrgicas da banda de Manoel Cordeiro cria uma sonoridade única. Não se trata apenas de música instrumental; é uma verdadeira crônica sonora do interior da Amazônia.

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Este terceiro volume da discografia de Manezinho do Sax é um monumento da nossa música tropical e independente. Um disco indispensável para quem deseja decifrar a rica tapeçaria sonora que une a tradição paraense, os ritmos caribenhos e o calor dos bailes da Amazônia.

Ouvir o Volume 3 no presente nos ajuda a entender a genealogia do fenômeno que, décadas mais tarde, explodiria para o resto do Brasil em projetos como o Terruá Pará e o combo Metaleira da Amazônia, onde Manezinho, ao lado de Pantoja do Pará e Pipira do Trombone, provou que os metais do Norte têm uma identidade única no mundo.

Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).

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