A história da música tem histórias que se repetem em países e até mesmo em diferentes continentes. É o caso do queniano George Mukabi, uma espécie de Robert Johnson, o clássico bluesman norte-americano. Um dos pioneiros do violão acústico na África Oriental, dono de uma trajetória musical tão rica quanto curta. 

Totalmente autodidata, ele construiu o próprio instrumento para aprender a tocar e acabou criando o revolucionário estilo Omutibo. Segundo historiadores, sua técnica inovadora adaptou a pulsação dos tambores sukuti e a cadência da lira nyatiti para as cordas de aço, fundindo baixo, ritmo e melodia ao mesmo tempo.

Sua carreira durou apenas sete anos, inaugurada em 1956 com a canção “Umulembe”, seguida do sucesso de “Toto Singwa”, de grande sucesso. Composições como “Sengula Nakupenda” e “Mtoto si Nguo” atravessaram gerações e influenciaram artistas como John Mwale, consolidando sua importância na história da música africana.

Conhecido como “Marehemu” (falecido, em suaíli), Mukabi gravou menos de trinta músicas, e vendeu muitos discos no iniciante mercado do país. O álbum “George Mukabi – Furaha Wenye Gita” (Mississipi Records; 2017) resgatou gravações históricas remasterizadas para as plataformas digitais.

A trajetória de Mukabi foi interrompida de forma trágica em 1963, aos 33 anos, na localidade de Butsotso. Após uma violenta discussão com uma de suas duas esposas, ele acabou assassinado por moradores locais. O filme “A Child is Not a Cloth” investigou seu impacto cultural, sua técnica e a herança poética deixada para o Quênia.

Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).

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