Antes do fenômeno global do Kassav com “Zouk la sé sèl médikaman nou ni” em 1984, o recorde absoluto de vendas na história da música caribenha de língua francesa pertencia a “Cuisse-la”, lançado pelo grupo de cadence-lypso de Guadalupe, Les Aiglons.
O ano era 1977. Nos estúdios da mítica gravadora Disques Debs, em Guadalupe, o produtor Henri Debs e os jovens músicos do grupo Les Aiglons alinhavam os arranjos daquela que se tornaria a engrenagem rítmica mais bem-sucedida do Caribe Francês antes da explosão do Zouk.
Sob a liderança de Michel Nerplat e Alain D’Alexis, a faixa sintetizava a evolução da cadence-lypso — fusão da cadência haitiana com o calipso de Trinidad —, impulsionada por uma seção de metais, linhas de baixo e uma guitarra costurando o ritmo diretamente para os pés dos dançarinos.
Estima-se que o compacto tenha vendido mais de 200 mil cópias na época — um número astronômico para o mercado fonográfico antilhano da década de 1970 —, transformando-se em um hino instantâneo nas Antilhas, na França, no Norte do Brasil e em várias nações da costa ocidental africana.
- No Brasil, a música ficou conhecida, a partir de Belém (Pará), sob o título de “Cuisse la (Melô do tipiti”), lançada no disco Lambadas Internacionais Vol 2, pela gravadora Gravasom.
Fundada pelo músico e empresário Henri Debs na década de 1960, em Pointe-à-Pitre (Guadalupe), a gravadora Disques Debs transformou-se no mais importante e prolífico laboratório de música caribenha de língua francesa do século XX.
Debs não era apenas um caçador de talentos, ele construiu um império vertical que incluía estúdio de gravação de ponta, fábrica de prensagem e lojas de discos – ao estilo da Gravasom, localizada em Belém.
Ao profissionalizar o registro da música local, ele permitiu que o som de bandas como Les Aiglons, Expérience 7 e Typical Combo, entre dezenas de outras, ganhasse o mundo com uma qualidade técnica superior para a época.
Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).





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