Lançado em 1973, Trio Madjesi & Orchestre Sosoliso – Vol. 1 é um dos discos fundamentais da música popular congolesa dos anos 1970. Surgido em plena efervescência cultural de Kinshasa, então capital do Zaire, o álbum apresenta uma fórmula irrestível. A elegância da rumba congolesa combinada à energia do soul e do funk norte-americanos, especialmente a influência de James Brown.
Integravam o Trio Madjesi Mario Matadidi (angolano), Loko Massengo “Djeskain” (congolês de Brazzaville) e Saak Saakul “Sinatra” (congolês de Kinshasa). O nome do grupo resulta da junção das sílabas iniciais de seus apelidos, ou seja, Ma-rio, Dje-skain e Si-natra. Acompanhados pela Orchestre Sosoliso, eles criaram uma sonoridade cosmopolita que refletia a diversidade cultural da África Central.
Desde a abertura com “Massengo Malingi Yo”, o grupo mostrava não estar interessado apenas em repetir os modelos tradicionais da rumba. As guitarras mantêm o balanço característico do Congo, mas os vocais dialogados, os coros explosivos e a pulsação rítmica apontam para um território novo. Em faixas como “Madjesi”, “Butteur” e “Penalty”, o trio demonstra um grande domínio da dinâmica vocal
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O ponto alto do álbum é “Sosoliso na Sosoliso”, composição que sintetiza perfeitamente a identidade do grupo. A música nasceu a partir de “Sex Madjesi”, uma homenagem explícita à “Sex Machine” de James Brown, mas foi transformada em algo profundamente africano, O resultado é um encontro pioneiro entre Kinshasa e o soul norte-americano, sem que a música perca sua essência local.
Além do aspecto musical, o Trio Madjesi representava uma ruptura estética. Diferente da maioria dos artistas locais, o trio adotava cabelos afro, roupas inspiradas na cultura soul e coreografias eletrizantes. Assim, influenciaram gerações posteriores de artistas congoleses, entre eles nomes ligados aos grupos que dariam origem ao soukous moderno.
Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F).





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