Trata-se do primeiro disco gravado por Mestre Vieira e Seu Conjunto, o inaugural da trilogia “Lambadas das Quebradas”. O álbum lançou as bases da construção sonora daquele que viria a ser um dos gêneros mais importantes da música popular brasileira das últimas décadas.

Com “Lambadas das Quebradas”, Mestre Vieira consolidou-se como o principal criador da lambada instrumental e da guitarrada, estilo que mais tarde se tornaria sua marca registrada.

Com seis das doze faixas trazendo a palavra “lambada” no título, o disco apresenta uma síntese das sonoridades que deram origem ao gênero, posteriormente rebatizado como guitarrada.

Uma audição atenta permite identificar ecos do choro, da Jovem Guarda, da música nordestina e dos ritmos latino-americanos, especialmente os caribenhos.

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A faixa de abertura, “Lambada da Baleia”, por exemplo, revela influências do mambo de Perez Prado, conforme observam Bruno Rabelo e André Macleuri, do blog Lambada das Quebradas.

Um dos diferenciais do álbum para a época é justamente “Lambada da Baleia”, uma espécie de crônica musical que narra a chegada de uma baleia às águas de Barcarena, em 1974.

Também chama a atenção a afirmação da lambada como linguagem própria, evidenciada em versos que prometem “casa cheia pra turma balançar”, em contraposição à pressão exercida pelo mercado para a adoção de repertórios ligados ao rock.

Já a faixa instrumental que dá nome ao disco, posicionada logo no início do álbum, antecipa as qualidades técnicas de Mestre Vieira como guitarrista, plenamente confirmadas em suas obras posteriores.

Outra questão relevante envolvendo o disco diz respeito às datas de gravação e lançamento. Registrado no estúdio Rauland, em Belém, o álbum aparece cercado por informações divergentes.

Em diversas ocasiões, o próprio Mestre Vieira afirmou que o trabalho havia sido “gravado em 1975 e lançado em 1977”. A ficha técnica do LP, porém, registra que ele foi “gravado em outubro de 1978”.

Quanto à data de lançamento, a contracapa traz o ano de 1979, enquanto o selo central do disco indica 1978. A divergência permanece como uma das curiosidades da história da obra e da própria discografia do artista.

Acompanhe e comente a série completa:

No livro “Ondas Tropicais – A invenção da lambada e do beiradão na Amazônia moderna”, seu autor, o jornalista Fernando Rosa, destacou oito discos fundacionais da música do Norte.

Com o livro esgotado, e aguardando uma segunda edição atualizada, Senhor F Social Club publica os textos, com pequenos ajustes, para os leitores do site interessados no tema.

  • Observação: a lista é um recorte editorial de Senhor F Social Club.

Os discos selecionados são os seguintes:

1 – Os Mocambos / Apresentam: Marabaixo, o folclore amapaense (1974)
2 – Mestre Cupijó e seu Ritmo / Dance o siriá (2) (1974)
3 – Alypyo Martins / O Rei do Carimbó – Vol 2 (1974)
4 – Pinduca / No embalo do carimbó e do sirimbó – O rei do carimbó Vol. 5 (1976)
5 – Vieira e seu Conjunto / Lambadas das quebradas (1978/9)
6 – Papete / Bandeira de aço (1978)
7 – Teixeira de Manaus / Solista de sax (1981)
8 – Carlos Santos / Volume 4 (Quero você) (1982

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Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F)

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