No quinto volume da série “No Embalo do Carimbó e Sirimbó”, lançado em 1976, Pinduca afirma de forma definitiva sua identidade musical e visual.

No aspecto sonoro, as guitarras modernas, que substituíam gradualmente o tradicional banjo do carimbó, tornam-se mais presentes e assumem papel central nos arranjos.

Os sopros, por sua vez, remetiam ao merengue dominicano, presente na música do Norte, por influência de artistas como Luis Kalaff, entre outros.

Já na capa do disco, o artista aparece com a indumentária que se tornaria sua marca registrada, incluindo o característico chapelão. Além disso, é nesse álbum que ele se apresenta pela primeira vez como “O Rei do Carimbó”.

  • O disco contém uma das faixas mais emblemáticas da música produzida no Norte do Brasil, especialmente por sua relação com a gênese da lambada. Trata-se de “Lambada”, apresentada no álbum como um “sambão”. Nela, a guitarra de Mário Gonçalves executa elementos que podem ser considerados uma das primeiras manifestações gravadas do gênero.

O repertório do disco reúne canções como “Lari Lari Ê”, “Carimbó do Pará”, “Comanchera”, “Coisa Boa do Pará” e a já citada “Lambada”.

O álbum foi gravado no estúdio SOMIL, no Rio de Janeiro, sob direção artística de Paulo Rocco, e lançado pelo selo Beverly.

Participaram das gravações os músicos Mário Gonçalves, Dani, Dina, Pantoja, Bemol e Libonate, apresentados por Pinduca na faixa de encerramento do disco – “Mutirão”.

Com mais de 25 títulos entre álbuns de estúdio e coletâneas, Pinduca desempenhou papel decisivo na popularização do carimbó para além das fronteiras do Pará.

Após romper as barreiras do mercado regional, levou o gênero a diversas regiões do país por meio de apresentações em rádios, programas de televisão e shows.

Ao longo da carreira, tornou-se responsável por difundir clássicos como “Sinhá Pureza”, “O Rico e o Pobre” e “Comancheira”, entre muitos outros.

Acompanhe e comente a série completa:

No livro “Ondas Tropicais – A invenção da lambada e do beiradão na Amazônia moderna”, seu autor, o jornalista Fernando Rosa, destacou oito discos fundacionais da música do Norte.

Com o livro esgotado, e aguardando uma segunda edição atualizada, Senhor F Social Club publica os textos, com pequenos ajustes, para os leitores do site interessados no tema.

  • Observação: a lista é um recorte editorial de Senhor F Social Club.

Os discos selecionados são os seguintes:

1 – Os Mocambos / Apresentam: Marabaixo, o folclore amapaense (1974)
2 – Mestre Cupijó e seu Ritmo / Dance o siriá (2) (1974)
3 – Alypyo Martins / O Rei do Carimbó – Vol 2 (1974)
4 – Pinduca / No embalo do carimbó e do sirimbó – O rei do carimbó Vol. 5 (1976)
5 – Vieira e seu Conjunto / Lambadas das quebradas (1978)
6 – Papete / Bandeira de aço (1978)
7 – Teixeira de Manaus / Solista de sax (1981)
8 – Carlos Santos / Volume 4 (Quero você) (1982

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Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F)

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