A força da percussão do ritmo Wolof, oriundo de etnia do mesmo nome no Senegal, na África Odental, serviu de base para uma verdadeira revolução na música pop africana de todo o continente, especialmente a partir dos anos setenta.
Nessa década, artistas senegaleses começaram a fundir os ritmos frenéticos tradicionais do sabar e do tama com guitarras elétricas, teclados, jazz, soul e música afro-cubana, resultando em novos ritmos, como o Mbalax e o Afrobeat.
A etnia Wolof constitui o maior grupo demográfico do Senegal, com forte presença também na Gâmbia e na Mauritânia. Esta região da África Ocidental é o berço de uma das tradições musicais mais vibrantes e percussivas do continente.
- Sabar – O termo “sabar” refere-se tanto ao instrumento quanto ao estilo de música e ao evento de dança de rua associado a ele. Sabar é o tambor mais emblemático do povo Wolof, tocado de uma maneira peculiar, com uma mão nua e uma baqueta fina na outra.
Mestres da revolução musical
O pioneiro absoluto dessa fusão foi Youssou N’Dour, que ajudou a criar o Mbalax (palavra que significa literalmente “ritmo” ou “acompanhamento” em wolof). Hoje, o Mbalax é a espinha dorsal da música popular do Senegal.
As gravações de Youssou N’Dour e do Super Étoile de Dakar e álbuns como Immigrés e Nelson Mandela são documentos históricos vivos da fusão dos ritmos Wolof (especialmente o sabar e o tama, tocado pelo mestre Assane Thiam) com arranjos modernos de guitarra e sintetizadores.
A obra da Orchestra Baobab também remete ao ritmo Wolof. Embora inicialmente focados em sons afro-cubanos, a forma como eles gradualmente incorporaram os ritmos e cantos Wolof ajuda a ilustrar a transição musical no Senegal pós-independência.
Outro expoente da mesma linhagem é o Super Diamono de Dakar, fundado em meados dos anos setenta em Dakar, e liderado pelo cantor Omar Pène, combinando ritmos tradicionais senegaleses com influências de blues, reggae, jazz e pop africano.
Ao mesmo tempo, em 1982, outro grupo chamado Xalam, levou a nova sonoridade ao universo da música pop, no álbum Undercover (ouça aqui) dos ingleses The Rolling Stones, e também abrindo shows do ex-Led Zeppelin Robert Plant (1985).
- Tama – Tama é um pequeno tambor em forma de ampulheta tocado debaixo do braço. O músico altera o tom da pele apertando as cordas laterais com o braço, conseguindo imitar as variações tonais e rítmicas da própria língua falada wolof.
- Xalam – Embora o foco do Wolof seja principalmente a percussão, o Xalam fornece a base harmônica e melódica para declamações históricas dos griots. Em sua forma padrão, o xalam é um cordofone de alaúde simples com uma a cinco cordas
Em resumo, o ritmo Wolof transcende o mero entretenimento. É uma linguagem complexa através da qual a sociedade preserva e transmite a sua história, as celebrações, a espiritualidade e a própria estrutura social.
Os griots, por sua vez, atuam como historiadores orais, genealogistas, conselheiros e contadores de histórias. Eles detêm o conhecimento do passado de famílias e reinos inteiros. Eles transmitem técnicas, códigos rítmicos e repertórios de geração em geração.
Foto: Redes Sociais.






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