Na arqueologia da música paraense, poucos selos guardam tantos mistérios e tesouros quanto a Gravasom. Entre as inúmeras prensagens que definiram a sonoridade da Amazônia nos anos 80, um disco se destaca não apenas pela sua raridade física, mas pelo mistério que o envolve. No caso, o único volume de Os Brasas de Maraú, lançado em 1982.
À primeira vista, o crédito de “música e letra” vai para Carlos Marajó. Para o ouvinte desatento da época, tratava-se de mais um artista surgindo na efervescência da lambada. Porém, para os pesquisadores e ouvidos treinados na escola da guitarrada, a assinatura sonora é inconfundível. “Carlos Marajó” é, neste disco, a personificação de Aldo Sena.
- Explicando o pseudônimo “Carlos Marajó”, que assina o disco dos Brasas da Marambaia e da série Guitarradas: “Carlos” de Carlos Santos (o primeiro nome do dono da Gravasom) e “Marajó” (da famosa ilha paraense).
Naquele início dos anos 80, a série “Guitarradas” consagrava o estilo instrumental, em plena ebulição. Os Brasas de Maraú surgem nesse contexto como uma espécie de “spin-off”, um projeto paralelo que correu por fora das compilações instrumentais famosas. O motivo provável? A presença da voz.
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Enquanto a série principal focava no virtuosismo instrumental da guitarra, Os Brasas de Maraú apresenta canções pop, um mix de Jovem Guarda e brega. Aqui, o Mestre não é apenas o guitarrista de solos rápidos e melódicos; ele se revela um compositor de formato canção
- Discos Raros da Amazônia é uma série de 20 obras raras da música do Norte, abrangendo os gêneros lambada, beiradão, carimbó e brega, lançados nos anos 70 & 80.
Veja a lista completa, com os links das resenhas atualizadas.
Assim como fez em alguns dos discos da série “Guitarradas – Lambadas Alucinantes”, Aldo Sena assumiu para a história mais um disco fundamental para a música paraense sem seu nome estampado na capa. Na série “Guitarradas”, até hoje não se sabe quantos volumes foram gravados por Aldo Sena.
O resgate de Os Brasas de Maraú joga luz sobre a intensa produtividade dos estúdios de Belém no início dos anos 80 e reafirma Aldo Sena como um músico onipresente, capaz de brilhar tanto no protagonismo instrumental quanto na criação de canções pop que animavam os bailes do subúrbio e do interior.





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