“Lambasax” é um disco feito em sua época para animar festas, radiolas e clubes de periferia, mas com o passar do tempo e a evolução da música, ganhou outra dimensão. Sua produção, charme sonoro e estética visual “lo-fi” transformou o álbum em objeto de culto por DJs e colecionadores de vinil ao redor do mundo.

Lançado em 1982, o disco é um documento precioso de uma era em que o Maranhão consolidava sua identidade sonora única, fortemente influenciada pelas ondas de rádio do Caribe e pelas guitarradas do vizinho Pará. O disco chegou ao mercado pelo lendário selo Morasom, uma gravadora de São Luís, pilar da música maranhense nos anos 70 e 80.

Como o título sugere, o saxofone de Cleomenes é o protagonista absoluto. O estilo de execução remete diretamente à escola do “sax do beiradão”, ou seja, um modo de tocar vigoroso, com vibratos acentuados e frases melódicas curtas e repetitivas, feitas sob medida para manter a pista de dança cheia.

Diferente do saxofone de jazz ou bossa nova, aqui o instrumento atua quase como uma voz humana cantando refrões festivos. Eliesio, o parceiro da dupla, constrói a “cozinha” rítmica e harmônica (provavelmente pilotando guitarras ou teclados com timbres típicos do início dos anos 80), criando o balanço sincopado fundamental para a lambada.

Enquanto Canarinho, lançado à época pelo mesmo selo, trazia a malandragem do choro para a lambada, Cleomenes e Eliesio trouxeram o calor dos metais. É um registro autêntico de um Maranhão solar, dançante e conectado com o Caribe, muito antes da “Lambada” virar uma moda mundial pasteurizada no final da década.

Foto: Senhor F Social Club (do acervo de Senhor F Social Club)

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