A terça-feira, 30, foi de casa cheia e pista em ebulição no Infinu, em Brasília – uma “rave” com mantras sequenciais que passeiam pelas diversas sonoridares latinas, amazônicas e contemporâneas.
Diante de um público vibrante, que dançou do início ao fim da apresentação, a dupla Lambada da Serpente celebrou o encerramento de 2025 em alta na cena musical de Brasília. O show teve participação especial de Fábio Trummer, da banda Eddie.
O show não apenas marcou o último compromisso do ano, como também simbolizou um período de crescimento contínuo de público e de afirmação da dupla como um dos nomes mais instigantes da cena musical da cidade.
Ao longo dos últimos meses, a Lambada da Serpente também vem ampliando sua presença para além do circuito local, circulando pelo Norte e pelo Nordeste do Brasil.
Recentemente, a dupla passou por Belém, onde gravou o single com Kleyton Silva – Cúmbia de Marilu (ouça aqui), vocalista da banda Baile do Mestre Cupijó, referência direta da música popular paraense.
Son Andrade e Ramiro Galas ainda realizaram show com o grupo Anhangá e participação do guitarrista Pio Lobato, um dos responsáveis pela retomada da guitarrada na virada dos anos dois mil.
Antes disso, o grupo já havia se conectado à cena do Norte ao lançar um single com a cantora Layse, também paraense, com participação especial do guitarrista e produtor Manoel Cordeiro, um dos arquitetos da sonoridade amazônica contemporânea.
A circulação nacional ganhou novo fôlego com a participação da dupla no MIC-BR – Mercado das Indústrias Criativas do Brasil, promovido pelo Ministério da Cultura, em Fortaleza.
No evento, a Lambada da Serpente teve ótima receptividade junto a produtores, programadores e público em geral, ampliando sua visibilidade e abrindo caminhos para novos palcos e articulações no circuito independente.

Essa repercussão não se explica apenas pela força dos shows.Parte central do interesse crescente em torno da dupla vem da recepção positiva do EP de estreia, lançado em agosto deste ano.
O trabalho funcionou como um cartão de visitas consistente, apresentando ao público uma proposta estética e musical bem definida, que dialoga com tradições latino-americanas ao mesmo tempo em que aponta para uma linguagem contemporânea e futurista.
O duo carrega no DNA sonoro uma longa história de trocas culturais entre o Brasil e a América Latina, da herança de gêneros como bolero, rumba, mambo, salsa e cumbia, somadas aos ritmos da Amazônia, como carimbó, lambada/guitarrada e brega, além de referências nordestinas como forró e baião.
No palco e no estúdio, Son Andrade, responsável pelo set de percussão, e Ramiro Galas, nas tecladeiras, combinam computadores, sintetizadores e instrumentos orgânicos para criar uma música moderna, vibrante e essencialmente dançante.
O resultado é um som que olha para o passado latino-americano, mas projeta esse repertório para o futuro, dialogando com pistas, festivais e plataformas digitais.
Em um momento em que se torna cada vez mais urgente aprofundar as conexões culturais do Brasil com a América Latina, a Lambada da Serpente se apresenta como parte ativa desse movimento.
O show lotado no Infinu, fechando 2025, é mais do que um retrato de sucesso pontual, é o sinal de que o público está atento, curioso e disposto a dançar ao som desse “mapa de todos” tropical, colorido e sonoro que a dupla vem desenhando passo a passo.
Foto: Senhor F Social Club.






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