Em 1981 o saxofonista Teixeira de Manaus mostrou o que viria a ser o som das margens dos rios amazônicos com seu disco de estreia. Mas, foi em 1982, com o lançamento de “Teixeira de Manaus – Volume 2”, que ele provou ser mais do que uma febre passageira.
O álbum estabeleceu um padrão de vendas que, na Amazônia daquela década, superava nomes sagrados da MPB, incluindo o “Rei” Roberto Carlos e, com isso, consolidou o (futuro) “beiradão” como gênero de massa.
Produzido por Pinduca, padrinho que o descobriu em 1979, este segundo volume da série “Solista de Sax” é um documento histórico da transição sonora da região – antes da lambada se tornar um fenômeno pop nacional no final dos anos 80.
A faixa “Deixa meu sax entrar” apresenta a síntese da estética de Teixeira: um saxofone ágil, malicioso e profundamente dançante, que dispensa letras para se comunicar diretamente com os pés do ouvinte. É a música que transformou o beiradão em hino das festas de interior e, posteriormente, no país inteiro.
Faixas como “Sax da lambada” e “Dance lambada” funcionavam como um termômetro para um gênero que ainda ganhava corpo. Ali, o músico já entendia que o futuro da pista de dança passava por esse ritmo acelerado e tropical.
A faixa “Alô Norte e Nordeste” é um aceno claro a esse novo mercado, uma estratégia para conectar o público de Careiro da Várzea aos ouvintes de todo o país que começavam a se render ao som instrumental amazônico.
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Abrindo o lado B, “Vou de mambo” resgata a forte presença dos ritmos caribenhos no DNA da música do Amazonas. No disco de estreia, ele já gravara músicas com referências na cumbia e no merengue. Após, lançou o disco Teixeira de Manaus – Na ginga da salsa, da cumbia e do merengue.
Ao longo dos anos, “Teixeira de Manaus – Volume 2”, a obra de um filho de agricultores que se tornou o principal artífice do beiradão, transformou um instrumento erudito em uma ferramenta de alegria popular, uma referência de resistência cultural popular.
Foto: Produtora Senhor F (acervo da Produtora Senhor F).





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