No cenário contemporâneo da música folk e protesto, uma geração de artistas jovens tem reaproveitado tradições do passado para questionar as tensões sociopolíticas do presente. A essa nova onda, pertence o cantor e compositor norte-americano Jesse Welles, ressoando a herança de Bob Dylan.

Natural de Ozark, Arkansas, Jesse Allen Breckenridge Wells – Jesse Welles, começou a carreira como músico em bandas nos anos 2010 e, a partir de 2023–2024, conquistou atenção massiva ao publicar nas redes sociais canções de protesto que tratam diretamente de temas contemporâneos, destacando a crítica aberta ao atual governo dos Estados Unidos.

Suas composições simples, diretas, pontuadas por um violão cru expõem tensões sociais com ironia e indignação. Welles ganhou mais de 3 milhões de seguidores nas plataformas digitais e é visto como parte de um novo revival do protest music que dialoga com o espírito dos anos 1960, sintonizado em forma e conteúdo à era das mídias sociais.

“No Kings”, hino anti-Trump

Entre as obras mais significativas de Welles está “No Kings”, um single que se tornou um marco em sua trajetória recente. Lançada em 2025, a faixa é um hino contra o atual sistema que o atual presidente norte-americano que impor internamente e ao mundo.

A parceria com Joan Baez, ícone do folk e ativista histórica, elevou ainda mais o impacto da canção. Baez gravou com Welles uma versão do single, destacando seu potencial como um refrão de protesto coletivo e reconhecendo o frescor da voz e da escrita do jovem músico.

“Join ICE”: denúncia da repressão

Outra composição que consolidou sua imagem de cantor engajado é “Join ICE”, uma faixa satírica que ironiza o recrutamento para o ICE — Immigration and Customs Enforcement, a agência de imigração dos Estados Unidos, e suas práticas restritivas, de controle e repressão.

O tom mordaz do verso “Take my advice… Come with me and hunt down minorities / Join ICE” tornou-se viral nas redes e reforça seu estilo direto e provocador. A canção questiona o papel dos agentes da ICE e seu papel de milicianos que atua como uma “gestapo” do governo Trump.

Join ICE – a letra

Bem, se você está procurando um propósito no circo atual.
Se você busca respeito e atenção.
Se você precisa de um trabalho que te faça se sentir importante, venha comigo e coloque alguns presos.

A semana passada foi meio difícil, algemei um garoto.
Amarrei uma mulher a uma van.
Podemos nos esgueirar pela cidade, caçar trabalhadores.
Ouvi dizer que eles têm um ótimo plano de benefícios.

Entre para o ICE, garoto, não é bom?
Junte-se ao ICE, aceite meu conselho.
Se você não tem controle nem autoridade,
venha comigo e cace minorias.
Junte-se ao ICE.

Bem, eu falhei na academia, os policiais não me aceitaram.
O Exército não parecia tão divertido.
Então, encontrei uma operação paramilitar
que estava ansiosa para me dar uma arma.

Eu sofria bullying na escola, nunca me senti legal.
Há um buraco na minha alma que simplesmente explode.
Todas as garotas me rejeitaram e eu me sentia um palhaço.
Mas olhe para mim agora, estou colocando pessoas em jaulas.

“Venezuela”

No conjunto de sua obra, Welles também denúncia o ataque contra a Venezuela e ironiza suas motivações hipócritas. Lançada no segundo semestre de 2025, a canção retoma a lírica da contextualização de conflitos e tensões mundiais, como fez Bob Dylan nos anos sessenta.

Herança folk e o espírito de Bob Dylan

Desde o início, Welles tem sido comparado a nomes consagrados do folk, especialmente Bob Dylan, por sua combinação de simplicidade melódica e crítica social afiada — uma conexão reforçada por críticas e pelo próprio repertório performático.

Apesar das comparações, críticos e parceiros destacam que sua música evoca o espírito de protesto da década de 1960 sem restringí-la a um revival nostálgico, transformando-a em linguagem relevante para o presente.

Foto: Reprodução/JamBase/WellesMusic (Instagram).

  • Com informações da Wikipedia,

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