Gravado entre 1968 e 1969, o disco Pulsación, de Astor Piazzolla y su Orquesta, é um dos discos mais reveladores da postura estética e política do compositor argentino diante da música popular de seu tempo.
Em plena efervescência do rock argentino, por exemplo, Piazzolla assumiu publicamente sua simpatia e defesa do gênero, reconhecendo nele uma força criativa jovem, urbana e transformadora.
Se discos anteriores ainda mantinham uma relação reconhecível com o tango tradicional, Pulsación representa um avanço para um lugar onde o tango é ponto de partida, não de chegada.
Pulsación aprofunda aquilo que Piazolla já não chamava mais apenas de “tango”, mas de música popular contemporânea portenha, momento decisivo para entender a dimensão estética, intelectual e urbana da obra de Astor Piazzolla..
Nesse disco, Piazolla não está preocupado em dialogar com o tango dançável ou tradicional, mas em explorar o pulso urbano, a tensão rítmica e a arquitetura formal herdada da música erudita do século XX.
Com este disco, Piazolla dialoga com a vanguarda instrumental internacional dos anos 1950 e 1960, evocando a ousadia rítmica, o uso de timbres elétricos e a teatralidade sonora de figuras como o mexicano Juan García Esquivel.
Mais do que um álbum de transição, Pulsación consolida o argentino Astor Piazzolla como um artista latino-americano de visão continental e cosmopolita, rompendo as fronteiras entre o tango, o jazz, o rock e a música erudita moderna..
Este disco mostra, em particular, que a importância de Piazolla para a música argentina e latina reside na capacidade de integrar tradição e ruptura, abrindo caminhos para gerações posteriores e reafirmando a música instrumental como espaço de invenção, risco e diálogo com o presente.
Foto: Senhor F Social Club (acervo).






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