No início dos anos 2000, Senhor F produziu um projeto de 4 CDs com a história do rock brasileiro para o selo Rhino Records, que acabou frustrado por dificuldades com a viabilização de direitos autorais.
O projeto ampliado e atualizado acabou gerando outro produto, o programa Senhor F – A História Secreta do Rock Brasileiro, veiculado na Usina do Som, da Editora Abril, por 75 semanas.
Passados cerca de 20 anos, trazemos o conteúdo da série original, com a curadoria e comentários do editor da então Revista Senhor F, Fernando Rosa.
- Neste volume (4), destacamos o hard rock, o avanço do progressivo e o pop, ao longo dos anos setenta.
O primeiro CD abrange os anos 50, o segundo e o terceiro a garagem e a psicodelia, respectivamente, e o quarto o hard rock e o progressivo dos anos setenta.
Veja todos os volumes:
– Clássicos Rock-Br comentados #1: Os primeiros passos
– Clássicos Rock-Br comentados #2: Jovem Brasa
– Clássicos Rock-BR comentados #3: Psychotrópicos
– Clàssicos Rock-BR comentados #4: Cabeça feita
- A arte dos CDs foi idealizada e produzida por Olímpio Cruz.

Veja/ouça o quatro volume da série:
Mutantes/Ando Meio Desligado (vs compacto)
(Arnaldo Baptista – Rita Lee – Sérgio Dias)
Lançada em compacto, esta rara versão alternativa de “Ando Meio Desligado” traz um arranjo diferente do original que abre o terceiro disco do grupo “A Divina Comédia … Ou Ando Meio Desligado”, lançado em 1970. Da metada para o final, ao invés das distorções contidas na versão do Lp, a música traz sons de tiroteio e rajadas de metralhadoras, sugerindo uma irônica crítica subliminar – à la Jimi Hendrix em “Star Spagled Banner”, no festival de Woodstock – à ditadura militar que radicalizava a sua ação repressiva naquele período. A exemplo dos discos anteriores, se faz presente na música o gênio inventivo do maestro Rogério Duprat, co-responsável pela maioria das loucuras sonoras do grupo.
A Bolha/Sem Nada (compacto)
(Pedro Lima)
Primeiro compacto da segunda fase do grupo carioca formado em meados dos anos sessenta pelos irmãos Cesar e Renato Ladeira, e que durou até 1977. Lançado em 1971, o compacto abriu o caminho para a gravação de mais dois álbuns: “Um Passo a Frente”, em 1973, e “É Proibido Fumar”, em 1977. Antes de adotar um som mais pesado e/ou progressivo, ainda como The Bubbles gravaram em 1966 um raro compacto contendo covers para músicas dos uruguaios Los Shakers e dos Rolling Stones. Integraram as diversas formações da banda, além dos irmãos Ladeira, os também fundadores Lincoln Bittencourt (baixo) e Ricardo (bateria), Arnaldo Brandão (baixo), Gustavo Stroeter (bateria), Pedro Lima (guitarra), Sérgio Herval (bateria) e Marcelo Sussekind (guitarra).
Kompha/Beacher (compacto)
(K. Edwards/Carlos Eduardo Aun)
Música de Carlos Eduardo Aun (Tuca), ex-guitarrista dos Lunáticos, Galaxies, Baobás, Código 90 e, ainda, Beatniks. Reunião de supermúsicos de São Paulo, o Kompha era resultado da fusão dos grupos Código 90, Loupha (vencedor do Primeiro Festival de Conjuntos da Jovem Guarda, em 1966) e ainda Sounds Five. Além de Tuca, integravam o Kompha o cantor Ray (ex-Sounds Five), o contrabaixista Vitor Malzone (ex-Loupha e Código 90), o tecladista Marinho (também ex-Código 90) e o baterista Nicoli (também ex-Sounds Five). Sucesso nas domingueiras paulistanas – os famosos “mingaus”, Kompha destacou-se entre os grupos de São Paulo que, no início da década, gravavam em inglês, como Sunday, Memphis, Watt’s 69, Buttons e Lee Jackson.
O Terço/Flor de La Noche
(Cezar de Mercês)
Clássica canção que abre o quarto álbum “Casa Encantada”, ao lado do anterior “Criaturas da Noite”, os melhores trabalhos do grupo O Terço, nascido no final dos anos sessenta, a partir da fusão dos conjuntos Hot Dogs e Joint Stock Co. Lançado em 1976, o álbum projetou definitivamente O Terço em um dos principais representantes do som folk/progressivo que marcou a carreira do grupo e resultou em pelo menos mais um excelente disco – “Mudança de Tempo”. Em suas várias formações, integraram o grupo Sérgio Hinds, Jorge Amiden, Vinicius Cantuária, César das Mercês, Sérgio Magrão, Flávio Venturini, Luiz Moreno, Sérgio Kaffa, Ruriá Duprat, Zé Português e Franklin, entre outros.
Novos Baianos/De Um Rolê (compacto)
(Morais – Galvão)
Lançado em compacto em 1971, foi um dos expoentes do show “Gal Fatal”, do mesmo ano, em versão ao estilo Jimi Hendrix, do também guitarrista Lany Gordin. Ainda com forte apelo psicodélico, a música registra o momento de transição do grupo baiano para sonoridades regionais, que depois resultaram em grandes álbuns, como “Acabou Chorare”, nos anos setenta, revolucionando a música jovem nacional. Integravam o combo dos Novos Baianos,que incluia a banda A Cor do Som, Morais Moreira (violão e vocal), Paulinho Boca de Cantor (vocal), Baby Consuelo (vocal), Pepeu Gomes (guitarra e cavaquinho), Galvão (composição), Dadi (baixo), Jorginho (bateria e cavaquinho), Bolacha (bongô) e Baixinho (bateria e bumbo).
Secos & Molhados/O Patrão Nosso de Cada Dia
Um dos inúmeros clássicos do primeiro disco “Secos & Molhados”, do grupo formado por Ney Matogrosso (vocal), João Ricardo (violão e vocais), Gerson Conrad (violões e vocal) e Marcelo Frias (bateria). Composta por João Ricardo e brilhantemente interpretada por Ney Matogrosso, a canção sintetiza a criatividade do núcleo principal e criador do grupo que marcou o rock brasileiro nos anos setenta. Lançado em 1973, e contendo o hit “O Vira”, entre outros sucessos, o álbum vendeu mais do que o campeão Roberto Carlos e transformou o grupo em fenômeno nacional.
Joelho de Porco/Boeing 723897
Pagando tributo aos Mutantes, “Boeing 723897” faz parte o Lp “São Paulo – 1554/Hoje”, gravado em 1973. Integravam a banda Dr. Próspero Albanese (composição e vocal solo), o ex-Baobás Tico Terpins (composição, vocal e baixo), Walter Baillot (guitarra, viola, violão e vocal), Flavinho Pimenta (bateria e cowbells), Sérginho Sá (piano, piano elétrico, órgão e percussão). Além deste LP, o grupo gravou o compacto “Se Você Vai de Xaxado, Eu Vou de Rock And Roll”/”Fly America”, produzido pelo ex-Mutantes, Arnaldo Baptista, em 1973; um EP-45rpm pelo selo Crazy; e os álbuns “Joelho de Porco” (Som Livre/1977) e “Saqueando a Cidade” (Chantecler/1983).
Made in Brazil/Anjo da Guarda
(O. Vecchione)
Um dos clássicos definitivos da banda paulistana formada no final dos sessenta, e que gravou seu primeiro LP em 1974, abrindo com esta canção influenciada pela sonoridade Rolling Stones/”Exile On Main Street”. Produzidos pelo crítico musical Ezequiel Neves, voltaram a carga em 1977, com o Lp “Jack, o Estripador”, que afirmou o nome do grupo entre os grandes da geração dos anos setenta. Pelas suas diversas formações, além dos fundadores e irmãos Celso (guitarra) e Osvaldo Vechionni (baixo), passaram, entre outros, o vocalista Cornelius (até 74), Ricardo (bateria), Leli (guitarra), Junior (bateria) e Fellini (bateria). Gravaram ainda “Paulicéia Desvairada” (1979), “Minha Vida é Rock and Roll” (1981) e “Pirata” – ao vivo (1984).
O Peso/Cabeça Feita (ao vivo)
(Guilherme Lamounier – Tibério Gaspar)
Composta por Guilherme Lamounier e Tibério Gaspar, “Cabeça Feita” integra o Lp “Em Busca do Tempo Perdido”, lançado em 1975 pelo grupo formado em Fortalez, no início dos anos setenta. No Rio, participaram do VII Festival da Canção com música “O Pente” e dos grandes shows ao vivo da época, destacando-se pela energia e qualidade técnica. Integravam o grupo Luiz Carlos Porto (vocais e composição), Gabriel O’Meara (guitarra), Carlinhos Scart (baixo), Constant Papineau (piano) e Carlos Graça (bateria). O guitarrista Gabriel O’Meara participou da gravação do antológico álbum “1990 – Projeto Salva Terra”, de Erasmo Carlos, em 1974.
Ave Sangria/Momento na Praça
(Marco Polo)
Música do clássico álbum gravado pelo grupo recifense Ave Sangria, formando Marco Polo (vocais), Ivson Wanderley (guitarra solo e violão), Paulo Raphael (guitarra base, sintetizador, violão, vocal), Almir (baixo), Israel Semente (bateria) e Juliano (percussão). Um dos grupos mais expressivos do movimento nordestino que assaltou a música jovem especialmente na segunda metade dos anos setenta, tinha entre seus integrantes dois dos melhores guitarristas brasileiros – Paulo Raphael, que depois tocou com Alceu Valença, e Ivson Wanderley – Ivinho, que gravou um grande álbum “ao vivo” no Festival de Montreaux.
Casa das Máquinas/Lar de Maravilhas
(Netinho – Aroldo – Pisca – Carlos Geraldo)
Faixa título do segundo álbum do grupo liderado pelo baterista Netinho, ex-Incríveis, que também contava com o guitarrista Aroldo Santarosa, também ex-Incríveis e Som Beat. Ainda integraram o grupo, o guitarrista Pisca, o baixista Carlinhos, o tecladista Marinho II, o vocalista Simba e o baterista Marinho. Iniciando a carreira com sonoridade e visual glitter, e depois passando para o rock and roll clássico, o grupo também transitou pelo rock progressivo, do que é expressão máxima esta música e o respectivo álbum. Depois de gravar três álbuns pelo selo Som Livre, o grupo dissolveu-se.
A Cor do Som/Arpoador
(Armandinho – Dadi – Gustavo – Mu)
Música de abertura do primeiro disco do grupo A Cor do Som, principal responsável pela introdução do som instrumental no universo roqueiro dos anos setenta. Com o nome herdado do combo original que acompanhava Os Novos Baianos (Dadi, Pepeu Gomes e Jorginho Gomes), o grupo era formado por Dadi (baixo), Armandinho (guitarra), Gustavo Schroeter (ex-A Bolha, bateria) e Mu (irmão de Dadi, teclados). A partir deste álbum e, especialmente, do segundo – “Frutificar”, com a regravação de alguns clássicos da MPB, como “Abri a Porta”(Gilberto Gil/Dominguinhos) e “Beleza Pura” (Caetano Veloso), A Cor do Som alcançou grande sucesso nos anos oitenta.
Arnaldo & Patrulha do Espaço/Sunshine
(Arnaldo Baptista)
Música que abre o clássico LP “Elo Perdido”, do ex-Mutantes Arnaldo (Baptista) & Patrulha do Espaço, gravado em 1978, mas só lançado dez anos depois, pelo selo paulista Vinil Urbano. Ao lado de Arnaldo, que exibe seu virtuosismo e sensibilidade ao piano, está o trio Patrulha do Espaço, formado por John Flavin (guitarra), Coquinho (baixo) e Júnior (bateria), excelentes instrumentistas, e que também produziram expressivos álbuns da banda. Com letra refletindo o clima do final dos anos setenta, a música marca um dos momentos mais criativos de Arnaldo, depois que deixou os Mutantes, após a gravação do sexto disco – “O A e o Z” e do clássico solo “Loki?”.
Bixo da Seda/O Trem
(Fugetti – Mimi)
“O Trem” integra o primeiro e único LP do Bixo da Seda, grupo gaúcho que desdobrou-se do extinto Liverpool, clássica banda dos anos sessenta. Fortemente influenciado pela sonoridade dos Rolling Stones, o grupo tinha entre seus membros os ex-Liverpool, Fugetti Luz (vocal), Mimi Lessa (guitarra solo), Marcos Lessa (baixo e guitarra), Edson Espíndola (bateria) e o ex-A Bolha, Renato Ladeira (órgão, guitarras, harmônica e vocal). Lançado em 1976, também pela gravadora Continental, e contendo uma homenagem ao ex-guitarrista dos Rolling Stones, Brian Jones – “Um Abraço em Brian Jones”- o disco é um dos clássicos do rock nacional.
Blindagem/Oração de Um Suicida
(Pedro Leminski – Paulo Leminski)
Música de abertura do único álbum gravado pelo grupo curitibano Blindagem, formado por Ivo Rodrigues (Voz, gaitas, violão), Paulo Juk (baixo), Paulo Teixeira (guitarras, piano, vocais), Alberto Rodrigues (guittarras, violões, vocais) e Marinho Jr. (bateria). Com letra do poeta, também curitibano, Paulo Leminski, “Oração de Um Suicida”, bem como a maioria das demais canções do álbum, traduz o sentimento de protesto existencial/ecológico do grupo. Oriundos do grupo A Chave, o grupo Blindagem transformou-se em legenda do rock sulista e de Curitiba em especial.
14 BIS/Perdido em Abbey Road
(Vermelho – Flávio Venturini)
Clássico de abertura do primeiro álbum do grupo 14 BIS, formado por ex-mebros dos grupos O Terço e Bendegó, Flávio Venturini (teclados, violão, bandolim e vocal), Vermelho (teclados, violão, baixo e vocal), Sérgio Magrão (baixo, vocal e violão), Heli Rodrigues (bateria e percussão) e Claudio Venturini (guitarra, violão e vocal). Gravada em 1979, abriu o caminho para transformar o grupo em um dos mais importantes do crossover rock/pop/regional dos anos oitenta, com a gravação excelentes álbuns. Afirmando sua presença em todos os grandes momentos do rock nacional, o maestro Rogério Duprat é o responsável pelo arranjo da música, que resgata o clima e os sentimentos dos anos sessenta.
Tutti Frutti/Que Loucura
(Luiz Carlini)
Clássico do grupo formado por Luiz Sérgio Carlini (guitarra), Lee Marcucci (baixo), Sérgio Della Mônica (bateria) e Wilson Pinto de Oliveira (vocal), em meados dos anos setenta. O grupo destacou-se acompanhando a ex-Mutantes Rita Lee em estúdio, epecialmente no álbum “Fruto Proibido”, que traz o clássico solo de Carlini para a música “Ovelha Negra” e, ainda, no histórico “Refestança”, que reuniu Rita e Gilberto Gil ao vivo. No início dos anos oitenta gravaram “O Melhor Remédio é Dançar” e canções como “Rádio Patroa”, regravada posteriormente por Erasmo Carlos.
Foto: Senhor F Social Club (arte sobre imagem)





Deixe um comentário