Lançado na primeira metade dos anos 1980, o segundo disco do saxofonista Agnaldo do Amazonas inaugura a série Furacão do Norte, título que acabaria se tornando marca registrada do músico e de sua fase mais produtiva em estúdio.

Depois da estreia com Mambadas (1982), gravado em Manaus, Agnaldo amplia o alcance de sua música ao registrar o novo álbum em Belém, no estúdio da Gravasom, centro importante da produção musical amazônica na época.

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A produção ficou a cargo de F. Cavalcante, o Grilo, comunicador da Rádio Difusora do Amazonas, personagem fundamental na circulação da música regional nas ondas do rádio, assim como outros radialistas espallhados pelo Norte e Nordeste.

O disco reúne o grupo de estúdio da própria Gravasom, formado por músicos experientes da cena paraense, destacando Barata e Didi nas guitarras, Neca e Evaldo nos baixos, Sagica na bateria e o onipresente Manoel Cordeiro nos teclados.

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Se o álbum de estreia apresentava o conceito das “mambadas” — mistura de mambo e lambada —, o segundo trabalho refina essa proposta dentro da tradição do beiradão, estilo de baile que domina as festas populares da Amazônia.

O sax de Agnaldo continua no centro da narrativa musical, conduzindo melodias vigorosas que se apoiam em bases rítmicas elétricas e dançantes, com arranjos mais ousados e sintonizados com o clima musical daquele momento.

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Neste disco, em especial, o sax atravessa as faixas com energia quase física, conduzindo o repertório como se estivesse à frente de um baile lotado. Sua forma de tocar privilegia a melodia direta e expansiva, mais próxima da tradição popular dos salões do interior amazônico.

Assim, o segundo álbum de Agnaldo do Amazonas não apenas consolida sua identidade artística, como também inaugura a trilogia “Furacão do Norte”, responsável por fixar definitivamente o nome do saxofonista entre os protagonistas do instrumental amazônico dos anos 1980.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club).

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