Um dos discos fundamentais para entender a evolução da música africana moderna, Trouble (1988), do grupo Loketo, é a síntese perfeita da revolução rítmica e guitarrística do soukous.

Sob liderança do guitarrista congolês Diblo Dibala, apelidado de “Machine Gun“, em parceria com a voz carismática de Aurlus Mabele, o álbum é um marco que ajudou a redefinir as pistas de dança do continente e do mundo na segunda metade dos anos oitenta.

Nascido no Congo em 1954, Dibala já trazia na bagagem uma vivência nas grandes orquestras africanas, com passagens pela lendária TPOK Band, de Franco, e pelos grupos Vox Africa e Bella-Bella. Foi neste último que cruzou caminhos com Kanda Bongo Man, com quem trabalharia intensamente no início daquela década.

Acompanhando Kanda Bongo Man, Dibala foi peça-chave na modernização do gênero, estabelecendo a marca registrada de introduzir solos de guitarra incendiários e velozes após cada verso. Uma inovação estrutural que serviu de motor para a febre da dança kwassa kwassa.

Quando Diblo Dibala e Aurlus Mabele uniram forças para fundar o Loketo, essa urgência rítmica atingiu seu ápice. Trouble captura exatamente esse momento de explosão criativa e independência.

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Diferente das longas e cadenciadas introduções da rumba tradicional, as faixas do disco vão direto ao ponto, sustentadas pela guitarra inconfundível de Dibala. Ele costura as linhas vocais e a animação de Mabele com precisão, justificando a alcunha de metralhadora sonora.

Na discografia do soukous, Trouble não atua apenas como um clássico isolado, mas abre caminho para uma sequência matadora que o Loketo emplacaria nos anos seguintes, incluindo Super Soukous (1989), Mondo Ry e Extra Ball (1992).

Mais do que um excelente álbum de estúdio, o disco é o registro histórico de um instrumentista extraordinário e hiper-requisitado no auge de sua forma, ditando os rumos da guitarra africana e transformando o soukous em uma força pop irresistível.

É audição básica e obrigatória para quem deseja compreender a rotação e a energia da música africana produzida no período.

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Club)

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