Enquanto o synth-pop dominava as paradas europeias em 1987, um som muito mais orgânico, visceral, ensolarado e politicamente posicionado pedia passagem desde os bairros pobres da África do Sul.
No caso, o disco Back in Town, com os Boyoyo Boys, lançado originalmente em 1983 e, depois, pela Rounder Records, em 1987, ia além do rótulo de “World Music” e, no contraponto do apartheid, trazia um som dançante, alegre e desafiador.
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Os Boyoyo Boys já eram lendas no país, mestres do Mbaqanga, estilo que funde a tradição Zulu com a eletricidade do rock e do jazz, criando o que ficou conhecido como “African Township Jive“.
Os primeiros e inúmeros singles do grupo datam dos anos setenta, especialmente “Puleng/Mapule“, lançado em 1975,de acordo com a plataforma Discogs.
- McLaren utilizou a melodia de “Puleng”, um dos grandes sucessos dos Boyoyo Boys, como base para sua incursão no hip-hop e ritmos de rua – conexão frequentemente citada em antologias sobre a história do sample e da globalização da música africana.
A faixa de abertura já ganha o ouvinte com o clássico groove local, pesado, circular e hipnótico, que serviu de base (e muitas vezes foi apropriado sem o devido crédito) para o pop ocidental de vanguarda, de Malcolm McLaren a Paul Simon (em Graceland).
As guitarras em Back in Town funcionam como engrenagens de um relógio de precisão, com timbres limpos, palhetadas rápidas e padrões que se repetem até que o ouvinte perca a noção do tempo.
O saxofone, com timbre rouco e festivo — o legítimo “growl” do Mbaqanga — faz o contraponto perfeito às harmonias vocais que parecem celebrar a vida em cada estrofe.
Back in Town, com uma das cozinhas (baixo e bateria) mais influentes da música africana moderna, ainda hoje é a fonte de energia para as pistas de dança globais.
*Com informações do encarte do disco, encarte do disco Graceland, de Paul Simon e All Music Guide.
Foto: Produtora Senhor F (acervo Produtora Senhor F).






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