Lançado em 1986 pela gravadora Gravasom, de Belém, o álbum de estreia do guitarrista Magalhães ocupa um lugar destacado na consolidação da música instrumental amazônica e da lambada/guitarrada dos anos 1980.

Mais do que apresentar um dos maiores guitarristas brasileiros, o disco afirma uma linguagem própria, capaz de articular tradição regional, apelo popular e protagonismo da guitarra elétrica em um momento decisivo para a cena musical do Norte do Brasil.

Ao lançar pela Gravasom, selo responsável por registrar boa parte da produção ligada à lambada e à guitarrada, Magalhães se insere em um circuito regional já consolidado, dialogando com mestres como Vieira e Aldo Sena, ao mesmo tempo em que afirma um sotaque musical próprio.

A versão original de Xangô presente no disco, mas excluida nas plataformas digitais.

Do ponto de vista autoral, o álbum é decisivo por apresentar Magalhães como instrumentista-compositor completo. Das faixas do disco, apenas duas são parcerias — “Quem é que não gosta?” e “Botando no toco”, compostas com Nonato do Cavaquinho, irmão de André Amazonas.

Todo o restante do repertório é assinado exclusivamente por Magalhães, o que evidencia não apenas sua habilidade técnica, mas também sua capacidade de criar melodias fortes, dançantes e facilmente reconhecíveis, pensadas para a guitarra como voz principal.

Além de dialogar com a lambada e com os ritmos amazônicos e nordestinos em circulação na época, o álbum reforça a ideia da guitarra elétrica como instrumento narrativo, capaz de conduzir a música sem depender da palavra.

O disco na íntegra, incluindo a faixa Xangô.

A importância histórica do álbum também reside em seu papel como registro fundador da obra de um mestre amazonense. Em 2019, a música Xangô foi incluida na coletânea Jambu e os mítícos sons da Amazônia (ouça aqui), lançada pelo selo Analog Africa.

Em um cenário frequentemente associado apenas ao Pará quando se fala em guitarrada, o disco de estreia de Magalhães reafirma o Amazonas como polo criativo e produtivo, abrindo caminho para o reconhecimento de outros guitarristas do estado, como Oseas e André Amazonas.

Com o tempo, o álbum de estreia de Magalhães se consolidou como referência não apenas por seu valor musical, mas também pelo seu caráter independente, regional, dançante e profundamente autoral.

Assim, o disco de estreia de Magalhães da Guitarra permanece como um documento essencial para compreender a história da guitarra elétrica na Amazônia.

Veja a lista selecionada por Senhor F Social Club

Discos Raros da Amazônia é uma série de 20 obras raras da música do Norte, abrangendo os gêneros lambada, beiradão, carimbó e brega, lançados nos anos 70 & 80.

  • Agnaldo do Amazonas – Mambadas
  • Aldo Sena (seu primeiro disco) – Ripa na chulipa
  • Barata – Sua voz e sua guitarra (vol 1)
  • Canarinho (cavaquinho do Maranhão) – Lambada do Canarinho
  • Chico Cajú (Amazonas)- E seu super sax
  • Deusimar da Guitarra (lambada do Ceará) – Deusimar da Guitarra
  • Franco Adelino (c/conjunto de Manoel Cordeiro & Barata)- Franco Adelino
  • Gilson (guitarrista do Amazonas) – Balançando a moçada!
  • Irmãos Coragem (c/Curica) – Carimbó
  • Lambaly (com guitarrista Oseas) – Lambadas nacionais
  • Cleomenes e Eliesio (Maranhão) – Lambasax
  • Lima (Mestre Vieira) – Lambadas e quebradas
  • Magalhães (Amazonas) – E sua guitarra
  • Marinho (guitarrista de lambada do Pará) – Melô da pirâmide
  • Mestre Cupijpo e Seu Rítmo (primeiro disco) – Siriá
  • Mirian Cunha (c/Mestre Vieira e Seu Conjunto) – Mirian Cunha
  • Os Mocambos (do Amapá, primeiro registro de marabaixo) – Aprepsentam Marabaixo
  • Oswaldo Bezerra (com Aldo Sena)- Rei do Brega
  • Teixeira de Manaus – Na ginga da salsa, cumbia e merengue
  • Toinho e Seus Animais (Amazonas) – Toinho e Seus Animais

Foto: Senhor F Social Club (acervo Senhor F Social Club).

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