O México foi precursor do rock and roll cantado em espanhol, tendo influenciado os demais países da América Latina – particularmente o rock argentino.

Assim como na maioria dos países, o primeiro registro de rock mexicano é de uma orquestra chamada La Orquestra de Puebla Beltran Ruiz, em 1956.

Em 1957, o grupo Los Lunáticos, formado por jovens com idades entre 17 e 18 anos, lança um EP contendo quatro músicas – Where did yo get it, Blue suede shoes, Por que ya no me quieres e El reloj.

Também a vedete e cantora Gloria Rios marcou o início do rock local, cantando vários temas clássicos em espanhol, como Rock Around The Clock, que virou El Relojito, em 1957.

Ainda nos anos cinquenta, início dos sessenta, destacaram-se os grupos Los Black Jeans, depois rebatizados Camisas Negras, Los Locos del Ritmo, Los Rebeldes del Rock e Los Teen Tops.

  • O cantor, guitarrista e compositor Richie Valens, descendente de mexicanos, mas nascido em território americano, que antes foi do México, é a principal referência externa do rock do país.

Los Black Jeans lançaram apenas um compacto em 1960 e, depois, já com o novo nome, um LP. Los Locos del Ritmo gravaram seu primeiro LP em 1958, mas lançado só em 1960, depois de dois anos engavetado pela gravadora.

Los Teen Tops, criado em 1959, manteve-se na ativa até 1962, gravando principalmente versões em espanhol de clássicos do rock and roll tradicional.

  • A influência de Los Teen Tops na América Latina é reconhecida em grupos como Los Gatos, na Argentina, e Los Shakers, no Uruguai, especialmente.

Outro grupo que surgiu na virada da década foi Los Sleepers, uma espécie de proto-Cramps, antecipando o psychobilly dos anos setenta e oitenta.

Javier Bátiz, herói de Santana

Nos anos seguintes, o rock mexicano também foi marcado por alguns personagens, situações e discos que definiram os rumos da música jovem do país.

Um personagem central é o músico Javier Bátiz, natural de Tijuana, na fronteira com a California, “herói” assumido de gente como Carlos Santana e Fito de La Parra (baterista do Canned Heat).

Com os grupos Los TJ’S e Famous Finks, e influenciado por blues e rhyth’n’blues, Javier Bátiz construiu uma cena local que se tornou referência nacional.

A “Onda Chicana

O resultado de seu movimento, fortalecido pela sua mudança a Cidade do México, em meados da década, foi a Onda Chicana, que produziu diversos grupos de repercussão mundial.

Outro momento de inflexão do rock local é o disco Hippies, com a banda Los Ovnis, gravado e lançado entre 1967 e 1968, sob o impacto da influência de Sgt. Pepper’s.

O disco faz a ponte entre o beat, a garagem e nova psicodelia, com guitarras fuzz, teclados Farfisa, distorsão, letras surrealistas e, principalmente, canções próprias e em espanhol, com tempero “chicano”.

Los Ovnis surgira em 1966, com um disco totalmente de covers, a exemplo da maioria de seus contemporâneos, como Los Chijuas, Los Belmont’s e Los Sinners, entre outros.

Los Sinners teve sua música Rebelde Radioactivo incluida na trilha sonora do filme “Simon of the Desert“, um cult clássico do diretor espanhol radicado no México, Luis Buñuel.

Nesse período, o grupo Los Monjes, hoje um clássico na linha “pebbles”, também produziu material próprio e em espanhol, registrados em dois EPs e um álbum ao vivo.

  • É deles os clássicos do pré-punk Mi Mami Dijo e Pobre niña, presentes em coletâneas de garagem dos anos sessenta e regravadas pelas gerações seguintes.

No disco En el Politecnico, gravado em 1966, Los Monjes antecipa boa parte da “fórmula” que fez o sucesso de Santana algum tempo depois, no final de década.

Entre os ingredientes estavam especialmente o teclado Hammond, o mix de inglês/espanhol e, até mesmo, um longo solo de bateria, na música Caravan.

Os grupos que se destacaram a seguir têm seus repertórios escritos/cantados em boa parte em inglês, repetindo um fenômeno praticamente mundial.

Entre os principais grupos desse período estão Kaleisocope, Los Dug Dugs, Toncho Pilatos, El Ritual, Love, Peace and Love, Three Souls in My Mind, Love Army e La Revolución de Emiliano Zapata.

Santana, explosão mundial

A aparição de Santana é o grande momento do rock mexicano, mesmo que naquele momento ele já estivesse vivendo nos Estados Unidos, mais exatamente em San Francisco.

Músicas como Evil Ways, Black Magic Woman, Samba Pa Ti e, especialmente, Oye Como Va, um original de Tito Puente, deram ao rock uma cara latina.

Seus três discos, Santana, Abraxas e Santana (3) tornaram-se clássicos do rock mundial e abriram caminho para outros grupos como Malo, de seu irmão Jorge, e El Chicano.

Impulsionado pela presença com destaque no filme Woodstock, a onda latina espalhou-se pelo mundo, produzindo milhares de grupos do estilo, especialmente da América do Sul

Playlist com clássicos do rock mexicano dos anos 50, 60 & 70.

Discografia selecionada

Los Teen Tops – Los Teen Tops (1961)
Los Locos del Ritmo – Rock & Roll (1961)
Javier Bátiz & The Famous Finks – Javier Bátiz & The Famous Finks (1963)
Los Sleepers – Zombie (1961)
Los Hitters – Los Hitters (1965)
Los Belmonts – Amarrado (1966)
Los Monjes – EPs & En El Politecnico (1966 & 1967)
Rockin’ Devil’s – Esos Fueron Los Dias (1969)
Los Chijuas – Los Chijuas (1968)
Flying Karpets – Flying Karpets (1968)
Los Ovnis – Hippies (1968)
Los Dug Dug’s – Los Dug Dug’s (1971)
Kaleidoscope – Kaleidoscope (1969)
La Revolución de Emiliano Zapata – La Revolución de Emiliano Zapata (1971)
El Ritual – El Ritual (1974)
El Tarro de Mostaza – El Tarro de Mostaza (1970)
Three Souls In My Mind – Tres Almas en Mi Mente (1971)
Toncho Pilatos – Toncho Pilatos (1973)
La Vida – La Vida (1972)
Santana – Santana (1969)
Santana – Abraxas (1970)
Santana – Santana, 3 (1971)
Malo – Malo (1972)
El Chicano – Viva Tirado (1970)

Coletâneas

Varios – Rare Mexican Cuts From The Sixties
Varios – Love, Peace and Poetry (Mexican Psychedelic Music)
Varios – Raza Rock (Of the 70’s & 80’s)
Varios – Tex Mex (The Full Enchilada).

Texto originalmente assinado por Litto Arbex (aka Fernando Rosa/Senhor F).

Foto: Senhor F Social Club (do acervo de Senhor F Social Club)

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