Serrita, no sertão pernambucano, carrega um imaginário próprio dentro da cultura nordestina, uma síntese de tradição, devoção e memória. Conhecida como Capital do Vaqueiro, a cidade firmou sua identidade a partir da figura lendária de Raimundo Jacó, vaqueiro assassinado em 1954.
Primo de Luiz Gonzaga, Raimundo Jacó era admirado por sua coragem e habilidade no manejo do gado. Seu assassinato em uma caatinga isolada marcou profundamente Gonzaga, que transformou a dor em homenagem. Ao lado do padre João Câncio e do poeta Pedro Bandeira, o Rei do Baião idealizou a Missa do Vaqueiro, criada em 1971.
Desde então, Serrita se transforma, anualmente, em um grande centro de romaria, celebração e tradição sertaneja, reunindo vaqueiros, cavaleiros, artistas e fiéis. A Missa do Vaqueiro em Serrita é tradicionalmente celebrada no quarto domingo de julho, reunindo vaqueiros, fiéis e admiradores da cultura sertaneja.
A Missa não é apenas um ato litúrgico; é um ritual de preservação cultural. A indumentária do vaqueiro, o couro, os aboios, o som dos berrantes e a estética da caatinga tornam o momento uma espécie de ópera sertaneja a céu aberto. Nas encenações e homenagens, vive-se uma memória que mistura religiosidade, arte, luta e resistência.
Com João Gomes, a tradição segue seu curso
Essa tradição encontrou eco em diferentes gerações da música nordestina, a exemplo de Kara Véia, e hoje dialoga diretamente com nomes como João Gomes, cercado pela mística da Missa do Vaqueiro e pela presença constante de Luiz Gonzaga na cultura local.
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Nascido e criado em Serrita, não é casual que sua estética, mesmo inserida no piseiro e na música contemporânea, mantenha conexões profundas com o universo do vaqueiro, seja na temática das músicas, na iconografia usada em shows ou na forma de interpretar a vida no sertão.
- Kara Véia – Sempre citado por João Gomes, Kara Véia tornou-se um nome popular no mundo da vaquejada. Fez muito sucesso no início dos anos 2000 com a música Foi Você. Alagoano, Kara Véia faleceu em 27 de março de 2004, aos 31 anos. Apesar da curta carreira, deixou um legado importante para a música popular nordestina.
- Quinteto Violado – O disco “Missa do Vaqueiro”, do Quinteto Violado, é um dos trabalhos mais emblemáticos da música nordestina dos anos 1970. Lançado em 1976, o disco recria, com linguagem própria, a celebração criada em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó — cerimônia idealizada por Luiz Gonzaga, o padre João Câncio e o poeta Pedro Bandeira.

Foto: Divulgação.






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