Álbum de estreia de Teixeira de Manaus, Solista de Sax, lançado em 1981, é considerado o marco zero do beiradão, ritmo surgido nas margens dos rios amazônicos e que, ao longo das décadas seguintes, se transformaria em uma das expressões musicais mais características do Amazonas. Mais do que o lançamento de um grande instrumentista, Solista de Sax representa o nascimento oficial de um gênero.

Nascido da mistura entre cúmbia, merengue, guitarradas paraenses, lambada, carimbó e outros ritmos populares que circulavam pelas fronteiras amazônicas, o beiradão já vinha sendo gestado desde os anos 1970. Não por acaso, uma das faixas do disco, parceria com o guitarrista Mário Gonçalves, chama-se justamente “Beiradão”, registrando pela primeira vez o nome que passaria a identificar todo um universo musical.

Longe do virtuosismo associado ao jazz ou à música instrumental, com seu sax Teixeira desenvolveu uma linguagem simples, melódica e extremamente popular, construída para os salões de dança, clubes e festas das comunidades ribeirinhas. Sua execução transforma o instrumento em protagonista absoluto, conduzindo melodias de fácil assimilação e enorme apelo popular.

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Temas como “Oba”, “Merenguê, Merengá” e “Cumbiando” ampliavam o diálogo das sonoridades locais com as influências caribenhas que chegavam diariamente pelas ondas do rádio e pelos circuitos comerciais da Pan-Amazônia. Assim como o carimbó encontrou em Pinduca seu principal embaixador, o beiradão encontrou em Teixeira de Manaus seu intérprete definitivo.

Embora profundamente associado ao entretenimento popular, Solista de Sax possui importância histórica muito maior do que sua vocação dançante poderia sugerir. O álbum estabeleceu um modelo estético que seria seguido por inúmeras bandas e instrumentistas das décadas seguintes, transformando-se numa verdadeira cartilha para os saxofonistas do Amazonas.

Acompanhe e comente a série completa:

No livro “Ondas Tropicais – A invenção da lambada e do beiradão na Amazônia moderna”, seu autor, o jornalista Fernando Rosa, destacou oito discos fundacionais da música do Norte.

Com o livro esgotado, e aguardando uma segunda edição atualizada, Senhor F Social Club publica os textos, com pequenos ajustes, para os leitores do site interessados no tema.

  • Observação: a lista é um recorte editorial de Senhor F Social Club.

Os discos selecionados são os seguintes:

1 – Os Mocambos / Apresentam: Marabaixo, o folclore amapaense (1974)
2 – Mestre Cupijó e seu Ritmo / Dance o siriá (2) (1974)
3 – Alypyo Martins / O Rei do Carimbó – Vol 2 (1974)
4 – Pinduca / No embalo do carimbó e do sirimbó – O rei do carimbó Vol. 5 (1976)
5 – Vieira e seu Conjunto / Lambadas das quebradas (1978/9)
6 – Papete / Bandeira de aço (1978)
7 – Teixeira de Manaus / Solista de sax (1981)
8 – Carlos Santos / Volume 4 (Quero você) (1982)

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Foto: Produtora Senhor F Social Club (acervo Senhor F)

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